“Sem cura pra neurose”

Texto: Iran Costa

Curtindo a neurose do dia a dia, no metrô, no trabalho, na faculdade. Obrigado a conviver com ela em todos os lugares, para os mals paridos que estão marcados no cotidiano da cidade. Nessas horas a gente pensa se está no caminho certo ou errado, na maioria das vezes estamos na procura do caminho certo.
Pensamentos de contracultura, ter que se moldar, pensar no que é certo e errado, não se corromper. Bem vindo ao mundo real. Tudo que fizemos com certeza nunca será em vão, existe uma certa confusão na nossa cabeça, que não deixa ela funcionar direito. O mais triste é saber que as pessoas vêm se tornando cada vez pior. Tentar ser o que eu nunca quis, pra agradar quem eu não conheço, se tornou prática comum, conviver com isso se tornou tortura pra alguns, mas algo normal pra outros.
As vezes os jovens parecem estar cegos, penso comigo, será que vivo no mesmo país que eles? Solidariedade descartável, esquecida ao atravessar a calçada. O símbolo social se torna troféu na mão do charlatão. Fazer parte disso? Sim, fazemos parte, mas tentar fugir todos os dias é a única opção, agarrando o que tem de positivo no que existe de mais podre.

Confusão mental na madrugada, será que o sono vem? Amanhã o metrô sai da zona leste, e refletindo bem, as vezes posso estar errado.

Escrevi esse texto exatamente a um ano atrás com muita confusão na cabeça. As vezes a gente critica, mas a sociedade precisa dos haters, pra manter ela em equilíbrio.

5ª Edição da “Troca de Desenho AOSEUALCANCE” em São Paulo

5ª TROCA DE DESENHOS AOSEUALCANCE

Fotos: Carlos Dias (arquivo pessoal)

O artista plástico Carlos Dias volta a São Paulo no dia 26 de novembro com a 5ª edição da “Troca de Desenho AOSEUALCANCE”. Depois de passar por Buenos Aires, São Paulo, Campinas, Florianópolis o evento volta à terra da garoa. Agora em novo local: Ocupação SHN – Galeria SOSO + CHOQUE CULTURAL, Avenida São João, 284

Segue o vídeo de divulgação do evento:

O projeto constitui em elevar o espírito do Faça Você Mesmo, “bater um rolo”,  troca de ideias e informação. Tornando-se quase uma confraternização de novos e velhos artistas, somando com pessoas que não carregam o rótulo, mas são apreciadores da arte.

Mural de trocas do evento feito em Campinas.

No local estará à mostra uma porção de desenhos feitos por Carlos, qualquer um pode chegar e fazer o seu ou trazer pronto. Após esse processo é só trocar por um da parede ou até mesmo com alguém que conheceu na hora. Não necessariamente precisa-se levar ou fazer desenhos, o artigo de troca pode ser uma foto, zine, qualquer forma de expressão artística de sua autoria (ou não).

Pessoal produzindo na 4ª Troca de desenhos em Florianópolis

O evento é totalmente gratuito e aberto ao público, a duração é das 13h às 18h.

Além disso tudo acontecendo no espaço, haverá Sound System rolando com:

Reverse Tunes – www.myspace.com/brunotozzini
Rioneuroticbass – www.myspace.com/rioneuroticbass
Rubyroxx- www.myspace.com/dj_rubyroxx
MJP – www.soundcloud.com/mjpsp
Seixlack – www.soundcloud.com/seixlack
Phantazma – www.myspace.com/phantazma13\
Droid on – www.chippanze.org/tag/droid-on/

Pocket show especial B-Day
Ferdi Gi – www.soundcloud.com/ferdi-gi

Para saber um pouco mais sobre o artista e seus outros projetos:
http://aoseualcance.com

Evento no facebook:
http://www.facebook.com/events/292324940799988/?ref=ts


Exposição do Lixeiro “Tirem suas tropas do Afeganistão” – Arte Punk na loja The Records

Na foto Lixeiro com a camiseta feita a mão com a arte do clássico disco de Punk nacional “Ataque Sonoro”

Esse sábado dia 26 de novembro às 15h acontece a exposição do artista Punk “Lixeiro” na Loja The Records que fica situada na Galeria Nova Barão – Rua Barão de Itapetininga 37, Loja 43, Rua alta.
Figura bem conhecida pelos contemporâneos do movimento Punk na cidade de São Paulo, porém sua fama como artista não é tão populosa entre os entusiastas do estilo atualmente.
O foco do seu trabalho é passar a arte das bandas para a camiseta, ele faz isso de forma totalmente artesanal usando pincel e tinta a olho nu, sem uso de telas de silk e etc.
Os caras da Loja The Records abriram suas portas para expor o trabalho desse velho guerreiro do Punk Paulista.


Camiseta da banda Norte Americana Wipers feita a mão com a arte do disco “Is This Real” por Lixeiro.

A exposição vai contar com cerca de 40 camisetas pintadas a mão de várias vertentes do Punk Hardcore, versões que carregam o estilo do artista, capas de discos indênticas e etc.

Segue o vídeo de divulgação do evento, com as obras do artista:

No evento haverá comes e bebes da melhor qualidade, refrigerante Dolly e salgadinho Fofura (Vegan). Se você é um apreciador da cultura alternativa e valoriza as pessoas que cultivam esse estilo de vida, compareça e leve dinheiro para comprar as camisas feitas pelo Lixeiro ou Pablo Punkasso como também é conhecido.

Conheça o artísta: “Tirem suas tropas do Afeganistão”

Em uma nota retirada do evento do facebook diz: A maioria das camisetas já foram vendidas, porém Lixeiro prometeu levar algumas mascaras de stencil para aqueles que ficaram sem possam levar uma camisa lisa e ele as estampará gratuitamente.

Dia 27 de novembro a MATINÊ HARDCORE está de volta à cena

 

Após um tempo de descanso, seu show de hardcore favorito está de volta!!! Mantendo os mesmos princípios a Matinê mais uma vez traz um show totalmente livre de bandas chatas, clima ruim, desorganização excessiva, profissionalismo no mal sentido e tudo mais que atravanca o progresso do hardcore.

E o melhor: será pela primeira vez um evento INTERNACIONAL!!!

Confira:

Desde que os primórdios do punk a Holanda tem sido uma potência dominante nesta arte maldita. E desde que o primeiro LP do SpeedTwins aportou por São Paulo em 1978 formou-se uma conexão sinistra entre os dois lugares.

Celebrando esta ponte da amizade, temos a honra de receber duas das mais vibrantes bandas atuais do país que nos deu Lärm/Seein’ Red, Manliftingbanner, BGK e Pandemonium: Waking The Dead e Rupsband.

O WAKING THE DEAD
Como o nome indica, é feito sob encomenda para apreciadores de Suicidal Tendencies, D.R.I., Cryptic Slaughter e outras lendas do crossover.

RUPSBAND
São uma espécie de Ripcord ou Heresy holandês, misturando influências britânicas e americanas à moda de quem cresceu nos Países Baixos vendo shows do Seein’ Red.

E representando a cidade de São Paulo, foram recrutadas três bandas líderes em seus respectivos estilos.

FINAL ROUND
Prestes a lançar o destruidor EP “Now Or Never” se coloca entre os grandes nomes do hardcore old school nacional, honrando como ninguém a tradição feroz de nomes como Judge, Killing Time e Floorpunch.

O CÚMPLICE
Formado por veteranos que passaram por bandas clássicas como Constrito, Abuso Sonoro, Flama e I Shot Cyrus, mostra como se faz música diabólica, misturando influências do que há de mais devastador no hardcore e no metal, como uma cria profana de Integrity, Black Sabbath, Melvins e Bathory.

VENENO LENTO
Representando o punk rock, temos a maior revelação do estilo no Brasil desde 1900 e cacetada. Maior candidato a se tornar o Sham 69 brasileiro, o quarteto que mistura os ex-Busscops com um atual Positive Youth, une como ninguém a juventude inconformista com sua mistura de política das ruas e som inspirado em bandas francesas da Chaos Productions, Dose Brutal, Angelic Upstarts e Rose Tattoo.

LOCAL: Sattva Bordô, Pça Roosevelt, 82, São Paulo,
PREÇO: R$10
HORÁRIO: 17h00 as 22h00

Facebook evento: http://www.facebook.com/events/165768746851051/

 

Entrevista: Fernando Sanches

Fernando Sanches produzindo o disco da banda paulista FUTURO – Foto: Daigo Oliva

Fernando Sanches além de ter feito parte de várias bandas que marcaram fases no hardcore nacional, o cara tem uma grande herança musical, passada de pai pra filho.

Pra quem não sabe o cara é engenheiro musical de um dos estúdios de gravação mais respeitados do underground aqui do Brasil. El Rocha, esse nome é familiar pra você? Se não for pegue o encarte dos discos de rock nacional (independente) dos anos 90 pra frente e com certeza vai ver que dentre as melhores gravações está assinado o nome deles.

Com muito carisma e humildade o cara respondeu algumas curiosidades a respeito da sua vida como produtor e de suas empreitadas como músico durante todos esses anos.

Sujeira: Você como muitos músicos e produtores vieram do underground e tal, no seu caso veio da cena hardcore, pra você o hardcore é um caminho sem volta, por mais que se envolva em outros projetos, vai se ver nisso pra sempre?

Fernando: Pra quem realmente acredita no punk/hc, eu acho que sim. Nos últimos anos muita gente passou pelo hardcore de maneira fugaz, para seguir um modismo… e geralmente esse tipo de pessoa não dura muito nele.Por mais que esteja envolvido em outras atividades ou estilos musicais, geralmente é fácil saber quem veio do meio, existe uma atitude diferente, menos frescura e uma vontade a mais de fazer as coisas acontecerem por conta própria.

Sujeira: A gente sabe que você tocou por alguns anos no CPM22, você sentia falta de alguma coisa mesmo com toda aquela estrutura, ou era algo normal pra você?

Fernando: Tinha o lado bom de ter sempre um som legal, bons profissionais trabalhando junto… mas eu sempre tive problema em delegar funções para os outros fazerem. Não era por falta de confiança, mas sim por costume e por me sentir mais à vontade cuidando das minhas coisas.Como trabalho 7 dias por semana, também nunca tive o habito de dormir à tarde, então eu acabava andando mais com o pessoal da técnica (que é quem chega antes e vai embora por último) do que com a própria banda. As equipes das outras bandas não entendiam nada…

Sujeira: Existe algum combústivel que mantém você empolgado sempre pra continuar os projetos, qual a motivação de tocar todos esses anos, trabalhar com música e etc…?

Fernando: Eu amo o que eu faço… escuto, penso e faço musica 24 horas por dia… acho que esse é o maior combustível. Depois de velho é difícil se imaginar fazendo outra coisa que não aquela que você dedicou mais da metade da sua vida.

Sujeira: Lendo pela internet, conhecendo um pouco da história da sua família, percebe-se que você é o irmão que mais manteve as raízes do rock em seus trabalhos pessoais, nunca rolou vontade de se aventurar em outras áreas da música (atuando como músico)?

Fernando: Acho que nunca tive talento suficiente também…hehheehe mas me sinto bem assim. Se eu conseguir fazer um bom rock, pra mim já é suficiente. Fora que eu sou o que mais escuta rock da minha família… acho que é da minha natureza mesmo.

Sujeira: Falando um pouco do seu trabalho como produtor, queria que você citasse alguns pontos essenciais pra ser um bom profissional nessa área, claro que no seu ponto de vista.

  Fernando: Acho que gostar muito daquilo que você faz é a primeira regra. Ninguém aguenta trabalhar na mesma coisa 15 horas por dia por muito tempo sem amar de verdade aquilo que esta fazendo. Estar sempre buscando aprender mais é essencial. E não levar o ego pro trabalho ajuda muito.Costumo conversar muito com quem eu estou trabalhando, pois na verdade o disco é dessa pessoa/banda, não meu. Nunca tive interesse de criar um artista, ou transforma-lo ao meu gosto. Acho que é por isso prefiro trabalhar com bandas do que com cantores.Se solicitado, posso dar palpites em arranjos, estrutura da música…mas esse lance da pessoa chegar com uma demo, e ai criar toda uma estética, arranjos, cara do artista, escolher o estilo e linguagem musical não é minha parada. Conheço gente que faz isso, e faz muito bem, mas não é a minha. Prefiro trabalhar para fazer a banda soar como ela realmente é, da melhor maneira e o melhor som possível.

Sujeira: Você saiu do CPM 22 recentemente, mas continua tocando com O Inimigo que vai lançar disco novo em breve. O Underground é mais a sua cara? Por quê?

Fernando: Acho que sim… como disse anteriormente, tenho uma certa dificuldade em ficar delegando coisas para os outros fazerem. Prefiro cuidar das delas por conta própria… e esse espírito funciona mais no underground, onde da pra eu (no caso, a banda) ter mais controle do processo. As relações são mais pessoais, menos contratuais.

Fernando tocando em sua atual banda O Inimigo – Foto por: Breno Carollo

Sujeira: Se puder, cita ai os discos de Punk que fizeram sua cabeça, e na sequência, cite alguns discos inusitados, que um muleque que curte O Inimigo nunca vai imaginar que você escuta.

Fernando: Os discos punk que mudaram a minha vida foram principalmente:

DESCENDENTS “ALL”
BLACK FLAG “SLIP IT IN”
RATOS DE PORÃO “BRASIL”
MINUTEMEN “DOUBLE NICKELS ON THE DIME”
ALL “ALLROY SAVES”
MINOR THREAT “OUT OF STEP”
THE CLASH “LONDON CALLING”
FUGAZI “RED MEDICINE”
D.R.I. “DEALING WITH IT”
NOMEANSNO “WRONG”
BAD RELIGION “AGAINST THE GRAIN”

Alguns “inusitados”:

IRON MAIDEN “PIECE OF MIND”
MUTANTES “JARDIM ELETRICO”
OS ORIGINAIS DO SAMBA “O ANIVERSÁRIO DO TARZAN”
OTIS REDDING “THE GREAT OTIS REDDING SING SOUL BALLADS”
CARTOLA “CARTOLA”
JACKSON 5 “ABC”
BOB MARLEY “CATCH A FIRE”
PINK FLOYD “MORE”
BEACH BOYS “PET SOUNDS”
BEATLES “REVOLVER”

Sujeira: Uma curiosidade, tem saudades do Againe?

Fernando: Claro… foi uma época muito divertida e onde eu aprendi muita coisa sobre como funciona uma banda de rock… como fazer, como não fazer… esse tipo de coisa. Como somos grandes amigos até hoje, quem sabe um dia a gente faz algum show… só de brinks.

Fernando Sanches tocando com a banda Againe

Sujeira: Como de praxe, deixo aqui esse espaço pra você mandar um salve pra galera que está lendo essa entrevista e falar o que tem vontade também.    Fernando: Valeu quem se interessou pelo assunto, valeu Soldado Xavero das Guitarras pelo espaço!!! Quem tiver alguma dúvida ou interesse no meu trabalho pode escrever para fernando@elrocha.com.br ou fernandosanchestakara@gmail.com.O site do estúdio está bem desatualizado mas é www.elrocha.com.br e do inimigo é www.oinimigo.net. Abraço e se cuidem

SUJEIRA Mostra: O Nirvana que o mundo não viu

Flávio Barbosa

No ano em que o álbum Nevermind completa 20 anos de existência, muito se fala sobre a banda grunge de Seattle, o que muitos não sabem é que na mesma época existiu na Suécia uma outra banda chamada Nirvana.

Formado em 1988, inicialmente sob o nome Prophet 2002, o trio escandinavo que contava com Orvar Säfström (ex-Entombed) decidiu mudar seu nome para Nirvana, mas pouco após a mudança, ouviram falar que uma banda homônima acabara de lançar o seu primeiro registo pela gravadora norte americana Subpop, então para evitar confusões os suecos decidiram trocar o nome novamente, dessa vez de forma definitiva, para Nirvana 2002.

Nirvana 2002 em 1990

Em 1990 o Nirvana 2002 gravou a música “Mourning”, como o mesmo equipamento usado pelo Entombed na gravação do disco “Left Hand Path” no mítico Sunlight Studios, conhecido por ter gravado a maior parte da primeira geração de Death Metal suéco, posteriormente essa música foi usada na coletânea “Projections of a Stained Mind”. Infelizmente o Nirvana suéco teve uma vida curtíssima, encerrando a suas atividades em 1992, sem sequer gravar um full length, apesar de ter recebido propostas.

Após mais de uma década em hiato, em 2007, o Nirvana 2002 se reuniu para seu primeiro show, na festa de lançamento do livro “Swedish Death Metal” escrito por Daniel Ekeroth (Tyrant), porém o baterista original Erik Qvick não pode comparecer ao show e quem assumiu essa responsabilidade foi ninguém menos Robert Eriksson, baterista do The Hellacopters. Dois anos depois, em 2009, foi assinado um contrato com a relapse records para o lançamento de uma compilação com quase todos os registros da banda. No ano seguinte a banda foi convidada para tocar no Maryland Deathfest VIII no intuito de fazer um show de lançamento do disco, neste primeiro show fora da Suécia, além do line-up original, também foi somado ao elenco o músico Erik Wallin, da banda Merciless.

Ratos de Porão “Com o foda-se ligado desde 1981”

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fotos: Mateus Mondini/UOL

Onze do 11 de 2011, data cabalistica como diria o João Gordo. Pode se dizer que na última sexta-feira aconteceu um marco no underground nacional. A comemoração dos 30 anos ininterruptos da banda que revolucionou a música pesada no Brasil, mostrando que era possível a união do metal e o punk. Ratos de Porão pode-se dizer que foram os caras que criaram o famoso “hardcore brasileiro”.    

DER

Quem deu início a festa foi o expoente do grindcore nacional DER. É uma banda acima da média com certeza, uma fúria e energia descomunal que é algo difícil de encontrar no estilo. Com uma precisão fora de comum eles fizeram um set impecável, rápido e direto. O lugar ainda estava vazio e o som não colaborava muito com a banda. O público estava um pouco tímido, porém isso não comprometeu a apresentação dos paulistas. Quem estava presente e não conhecia a banda com certeza ficou chocado com a brutalidade dos músicos. 

Conquest For Death

Na sequência entram os gringos do Conquest For Death (USA). O nome da banda podia ser “Energia”, pois essa palavra define bem o que são esses caras no palco. Um thrashcore da mais fina qualidade somado a um carisma bonito de se ver. Tocavam com um semblante feliz no rosto deixavam bem claro o quão importante e prazeroso estava sendo aquele momento. O entusiasmo dos músicos contagiou o público deixando o lugar bem abafado com a agitação da molecada. O vocalista Devon de 42 anos pulava como uma criança, emendando um som no outro fizeram jus ao que chamam de “Fastcore”. O som coeso, pesado e rápido dos americanos fez o hangar 110 balançar e ir a delírio antes dos reis da noite entrarem no palco.

RATOS DE PORÃO

O show começou quase 23h com a casa cheia.  Enquanto do lado de fora havia uma fila que chegava até a AV. Tiradentes, com uma multidão de jovens desolados sem ingresso. Com as cortinas  fechadas ainda, se escuta a voz do guitarrista Jão no microfone “Vamos começar porque tem muito moleque que depende do metrô!!” e assim começa festa.

No palco entrou a formação original do RDP, Jão (Guitarra e Vocal), Jaba (Baixo) e Betinho (Bateria). Tocaram dois clássicos: “Por Que”, do LP “SUB” (Disco clássico do Punk Rock Nacional, 1983) e “Corrupção”, do disco “Periferia” (Coletânea rara de Punk, 1982) que já deixaram a casa de shows Hangar pingando suor do teto com a empolgação do público.

Mingau (guitarra) é convidado a subir no palco, Jão fica apenas no vocal e fecham a formação clássica da banda responsável pela fase mais punk do RDP nos anos 80, Jaba (Baixo) e Betinho (Bateria). Tocaram “Novo Vietnã” (Periferia, 1982) e mandaram uma sequência de sons do “SUB”. Essa formação também prestou um tributo ao Redson (vocalista da banda Punk “Cólera” que faleceu recentemente).

Betinho sai da bateria e Jão assume as baquetas. Formação épica do Ratos de Porão que gravou o LP “Crucificados Pelo Sistema” (1984). Gordo assume o vocal e já começam com “Morrer”. Nessa hora, era impossível ficar na beira do palco sem ser pisoteado ou esmagado pela molecada que fazia fila para dar stage dive e cantar as músicas bem perto da banda.

Então, chegou à vez dos headbangers. A fase do RDP que mais rendeu frutos à banda, turnês internacionais, gravações no exterior, mas também foi a que mais fortaleceu essa alcunha de “Traidores do Movimento”. Jão (guitarra), Jaba (baixo), Gordo (vocal) e Spaguetti (bateria) abriram com “No Junk”, do LP “Descanse em Paz” (1986). Os entusiastas do crossover ficaram fora de si ao ver o RDP com a formação clássica, o primeiro grupo a tocar essa mistura em território nacional. Fizeram um cover de “Commando” dos Ramones, que deu uma acalmada na galera e fecharam o set com “Escravo da Tv”, do controverso LP “Anarkophobia (1990).

Começa a fase do disco “Just Another Crime…” (1993), com Walter (baixo), Gordo (vocal), Jão (guitarra) e Boka (bateria). Abrem com “Breaking All The Rules” cover de Peter Frampton. Os jovens que assistiam ao show pareciam não se familiarizar muito com essa fase do RDP, o que resultou na parte mais fria do evento, mas não deixou de ser bem executada e bem  divertida com piadas feitas pelo João no intervalo de todas as músicas.

A fase com o baixista Pica Pau, que não pode comparecer ao show, foi deixada de lado. O músico mandou uma mensagem de celular para os integrantes avisando que não poderia participar do show. O fato deixou Jão bem irritado chamando baixista de “playboy” e outras coisas mais.

Fralda é convidado à subir no palco e assumir o baixo, assim começa uma das fases mais sujas da banda. O público volta a agitar com força total. Abrem com “Atitude Zero”, de “Carniceria Tropical” (1997), e dedicam o som para o ausente Pica pau. Na sequência já brutalizam com ”Guerra Cívil Canibal” (2000). Tocam a versão de “Pobreza” do  disco “Sistemados Pela Crucifa” (2001), o que tornou o ambiente do show intrasitável.

Chega então a última parte do show onde toca a formação atual da banda. Juninho (baixo), Boka (bateria), Jão (guitarra) e Gordo (Vocal). O set começa com “Pedofilia Santa”, do disco “Homem Inimigo do Homem” (2006). O baixista Juninho já voava com os seus pulos, uma roda gigante se formava no público e era impressionante o calor que fazia no espaço, mas isso não abalava nem um pouco as pessoas ali presentes. Tocaram uma sequência de clássicos, como “Aids Pop Repressão”, “Descanse em Paz” e “Crucificados Pelo Sistema” levando o público ao êxtase. Foi um dos blocos mais agitados da noite.

Para fechar o espetáculo de forma apoteótica, Jão puxa o riff de “Periferia” “Crucificados Pelo Sistema”(1983) e convida todos os ex-integrantes para subir no palco e cantar junto o refrão “Tudo acontece, na periferia, brigas mortes, na periferia…”. As luzes do hangar já acesas mostrava a alegria do público ao ver em cima do palco esse marco do Punk nacional, transformando a música em um hino. Com abraços e agradecimentos entre os músicos, o Ratos De Porão escreve mais uma página na sua história.

Set list do show:

“Por Quê?”
“Corrupção”
“Novo Vietnã”
“Vida Ruim”
“Não Podemos Falar”(Tributo Redson)
“Morrer”
“Asas da Vingança”
“Juventude Perdida”
“No Junk”
“Tattoo Maniax”
“Morte e Desespero”
“Terra do Carnaval”
“SOS País Falido”
“Escravo da TV”
“Breakind All The Rules”
“Quando Ci Vuelo”
“Atitude Zero”
“Engrenagem”
“Necrochorume”
“Pedofilia Santa”
“Expresso da Escravidão”
“Paradoxo da Soberba”
“Crucificados”
“Descanse”
“HIDH”
“Aids, Pop e Repressão”
“Beber até Morrer”
“Crise é Geral”
“Herença”
“Periferia”

Nota: Infelizmente não conseguimos fotografias do D.E.R e Conquest For Death.