Paura conversa com o Sujeira e fala sobre a nova fase da banda

Foto promo - Formação nova @ Foto por: Wander Willian

Paura já tem um bom tempo de estrada sempre representado por 5 integrantes, os caras apostaram durante todos esses anos na mistura entre Metal e Hardcore. Influênciados por expoentes de ambos os estilos os caras nunca deixaram a desejar se tratando de competência, técnica e energia. O primeiro  disco foi lançado em 1996 “Family Trust”, nessa época já mostravam que estavam a frente quando se tratava de tocar hardcore, se mantendo antenados com o que rolava no exterior, sem aquele ‘delay” comum no Brasil e paises mais afastados. Sempre que converso com alguma pessoa que frequentou shows nos anos 90 é certa a resposta de que os caras eram os favoritos da época.
Uma coisa é fato, a banda fez parte e são extremamente importantes na história do hardcore nacional, nessa entrevista abordamos a nova fase da banda, planos, mudança de formação (coisa que já estão bem calejados) e assuntos relevantes que  não se remetem a nenhuma nostalgia.

Sujeira – A banda mudou de formação no final do ano passado mais o menos, foi algo conversado e esperado ou foi tudo de surpresa, como foi à saída do ex batera Henrique?

Rogério – Foi algo esperado a partir do momento que você percebe tocando que as coisas já não fluem tão naturalmente assim. Algumas atitudes nos levaram a essa mudança. Voltamos, na medida do possível, a nossa origem.

Fabio – Pra mim, foi inesperado porque tinha 20 dias que tínhamos voltado de uma turnê europeia e tínhamos 2 shows marcados pra menos de duas semanas. Mas que as coisas já não andavam bem com ele na banda, isso é fato.

Caio – Ao longo do tempo, nosso convívio com o Henrique foi ficando muito desgastado, e isso também se refletiu musicalmente. Enquanto todos na banda queriam dar um direcionamento mais cru e direto no som, ele estava numa pegada mais técnica, mais metal. Então a saída dele acabou sendo natural.

Sujeira – Vejo nas fotos de vocês que tem escutado muita coisa relativamente nova (pelas camisetas) se tratando de hardcore, vocês tem costume de ir atrás das bandas novas (garimpar e tal)? Isso acaba influenciando nas novas composições?

Rogério – A gente sempre pega uma coisa nova aqui e ali. Hoje isso basicamente vem dos contatos/amigos na internet mesmo. Acaba influenciando se for algo que achamos realmente energético/interessante para a nossa música. Daí nós temos um bom mix disso tudo com as nossas influências dos anos 80/90.

Caio – Quando você compõe, não tem como escapar do que você está ouvindo no momento, inclusive as bandas novas.

Fabio – Não dá pra ficar só preso aos clássicos do passado. Carrego essa ‘ânsia’ de descobrir bandas novas desde que comecei a escutar som. É algo que faz bem, saca, ver que sempre tem renovação, sangue novo, com conteúdo, eu acho importante e é um sentimento legal acompanhar isso por tanto tempo. E uma coisa ou outra acaba influenciando.

Foto por: Wander Willian

Sujeira – Queria que vocês comentassem a escolha do novo baterista Fernando Schaefer, os “porquês” de ter escolhido o cara, como tem sido a recepção dele dentro da banda em relação a galera que curte o som de vocês?

Caio – A recepção tem sido bem positiva. O Fernando agrega muito musicalmente à banda, e na parte da correria, o que é muito importante também.

Rogério – A escolha foi meio lógica no que tange a musicalidade da banda. Eu era vizinho do Fernando quando ele morava na Aclimação e a partir dali começamos a manter um contato, sempre trocando idéias/informações sobre hardcore. Uma vez surgiu a oportunidade de show para o Paura e o antigo baterista teria algum outro compromisso. Daí ele me falou para passar um setlist que ele deixaria tudo tirado e assim que precisasse a gente daria um toque nele. Na verdade nunca rolou. Mas agora aconteceu definitivamente e ele está bem na banda, integrado. Fizemos 3 shows com ele, sendo que o primeiro fora 6 dias após a saída do antigo. A receptividade foi boa. Ele já é uma figura conhecida no meio e um músico acima da média.

Fabio – E foi o primeiro cara que se dispôs a nos ajudar quando ficou sabendo que estávamos sem baterista. Tirou 8 sons em uma semana e conseguimos fazer os shows agendados que, à priori, cancelaríamos.

Fernando Schaefer em ação @ Foto por: Wander Willian

Sujeira – Vocês tem ido sempre à Europa tocar, queria saber isso é consequência da escassez de eventos legais aqui no Brasil ou tem algum outro motivo? Pra completar queria saber os aspectos positivos e negativos da cena lá de fora.

Rogério – Não seria esse o motivo. Mas sim o de ser mais viável se fazer uma “tour” de verdade na Europa do que aqui no Brasil. Estamos, infelizmente, a milhas de distância disso por aqui ainda. Poder alugar uma van e sair viajando e tocando por 30 dias, se bancando, esse é o motivo. Os aspectos positivos são a condição e o respeito que se tem para tocar na Europa, agora quase que inteira, pois o lado leste evoluiu bastante também. O respeito das pessoas é absurdo. Claro que como em todo lugar do mundo existem modas e tudo mais e por lá, em alguns lugares, não é diferente. Isso dentro do cenário hardcore mesmo. Mas é a velho chavão, quem está na parada, você encontra novamente mesmo depois de alguns anos. Agora os modistas, esses são de 1 ou 2 verões.

Fabio – É foda porque já fomos pra lá três vezes e ainda tem muita coisa a ser explorada por nós lá. A abrangência do circuito é muito grande na Europa. Desde os grandes festivais até as pequenas gravadoras, tudo tem sido estruturado há muito tempo e isso deixa muitas portas abertas. Desde 2008, quando fomos pela primeira vez, temos aumentado nossa base de amigos e isso vem facilitando muito.

Caio – Como meus comparsas bem falaram, é mais pela questão que lá existe um circuito, uma estrutura onde você pode fazer shows praticamente todos os dias, enquanto aqui no Brasil, não. Além disso, na Europa, a cultura do hardcore e da música pesada é muito mais difundida do que aqui, e sentimos que temos algo a acrescentar lá e que a galera vai apreciar o nosso som.

Paura ao vivo no Festival Open Hardcore Fest na Polônia em 2010

Sujeira – Como vocês que tocam a muito tempo vêem a cena underground hoje aqui, espaço pra música pesada, hardcore e suas vertentes, tem espaço realmente pra isso? 

Rogério – Complicado. Acho que tem alguns espaços, mas não temos muita consciência do cenário. Temos muita segregação de estilos, política, religião dentro desse suposto “cenário”. Isso dificulta o desenvolvimento da coisa toda. Têm aparecido muitos “produtores” equivocados que acabam prejudicando tudo também.

Fabio –  Espaço pra todo mundo sempre teve, e sempre terá. Mas é bem isso que o Rogério disse. E, só completando, quando a vaidade é o maior motivador de alguém num cenário, tudo se fragiliza conforme esse alguém segue sendo ‘referência’. Quanto mais tempo as coisas caminham desse jeito, mais fragmentado fica o cenário musical.

Caio – Concordo com os caras que tem espaço, sim. E que o desenvolvimento da cena depende de união das partes que ela é composta. Velho clichê, mas que ainda todos temos que aprender a colocar em prática.

Sujeira –  Musicalmente falando é difícil não notar que o Paura é uma banda muito técnica e bem acima da média nacional, vocês levam o lance de tocar bem a sério até que ponto? Isso pode ser um dos motivos de várias mudanças de formação ou nada a ver?

Rogério – Eu não levo tão a sério assim. Já fiquei mais em cima da guitarra do que hoje. Como escutei sempre de tudo, isso me ajuda na hora de compor e me localizar. As mudanças geralmente se deram por algum motivo pessoal, nada relacionado à técnica musical.

Fabio – Pode crer. Nunca houve uma mudança de formação no Paura por causa do lado da musica. Sempre aconteceu por influência externa.

Caio – Eu também nunca fui muito encanado com esse lance de técnica. Sempre valorizei mais a musicalidade, e a “pegada”. Como a gente toca há bastante tempo, e tendo bastante referências de som também, isso se reflete na música. Você comenta sobre uma “média nacional”. Uma coisa que acho é que na questão “técnica” as bandas brasileiras ainda devem um pouco pras bandas gringas, principalmente pela falta de estrutura e acesso comparado ao que eles têm lá fora. Mas, com a difusão da internet e outros fatores isto tem mudado, estamos cada vez mais perto deles neste aspecto técnico.

Rogério tocando com Paura no Inferno Club

Sujeira –  Queria saber o que vai rolar em 2012, planos futuros de disco novo, clip e etc.

Rogério – 2012 o mundo acaba…hahahaha
Estamos gravando quatro músicas para um sete polegadas que vai sair pela Definite Choice Records. Estamos pensando em um clipe de algum som desse compacto, mas ainda não é certo. Tour na Europa em agosto. Algumas datas agendadas para o sul do país também. Mais do mesmo. Apenas mais e mais. Tocar, tocar e tocar.

Caio – É isso aí, e tudo no DIY, porque é assim que tem que ser.

Fabio – 2012 é ano do centenário do Santos Futebol Clube….hahaha

Clipe da música No Hard Feelings?! Fuck You! lançado em 2010

Sujeira –  Alguém da banda tem outros projetos? 

Rogério – Eu não.

Caio – Eu também não.

Fabio – O Cris (Bandanos) me chamou pra cantar no Mandibulla, que é uma banda que ele queria montar fazia anos e nunca tinha rolado. Dessa vez, ta rolando legal…hehehe. A banda ainda conta com o Cleiton (Travolta Discos) e o Thiago (Still X Strong) nas guitarras, o Helder (Bandanos) na batera e o Cris no baixo. E o Fernandão toca em uma porrada de bandas além do Paura.

Sujeira – Gostaria que citassem coisas que ao seus olhos são possíveis na cena nacional, porém não são aplicadas, algo simples que poderia melhorar, mas muitas vezes passam batido (qualquer coisa)
.

Caio – Acho que nós, como banda, poderíamos ter mais mentalidade de “turnês”, fazendo como um “pacote” de bandas nacionais, parecido como fizemos com o StillxStrong. Vejo que assim o circuito fica mais fortalecido, podendo rolar shows sempre nos mesmos lugares, em cada cidade, e mais bandas poderão fazer o mesmo. O público também tem que ter uma mentalidade de apoiar as bandas locais, comparecendo aos shows e comprando merch, não só das bandas internacionais.

Fabio – Uma coisa que eu acho que é bem simples e cabe pra todo e qualquer promotor de show de qualquer lugar do Brasil: rango pra banda. Em qualquer evento mesmo, de periferia ou clubes badalados. Um promotor não gastará 20 reais em uma macarronada simples, que alimentaria banda e equipe (vegan ou não) e isso faz uma diferença brutal pra quem ta na estrada. É um lance simples, mas que entra nessa idéia de RESPEITO.

Rogério – Respeito em qualquer aspecto.

Sujeira –  Espaço pra mandar uma mensagem ai, gostaria de pedir pra citar bandas que vocês gostam, nacionais e internacionais que valem a pena pra galera conhecer (qualquer estilo)

Rogério – Acho que tem muita coisa legal acontecendo no cenário daqui. Muitas bandas daqui são milhões de vezes melhor que bandas de fora. As pessoas deveriam se importar com isso e ajudar de qualquer maneira. Seja indo a shows, trocando uma idéia com alguém de qualquer banda, comprando discos e/ou merchandising, se informando sobre tudo e sobre o que realmente lhes interessa. Estamos sempre por ai. Se não nos nossos shows, nos shows de bandas amigas. Sempre dispostos a conhecer novas pessoas e novas idéias.
Bandas nacionais: Still X Strong, Test
Bancas internacionais: All Pigs Must Die, Abhinanda

Fabio – Assino embaixo o que o Rogério falou. E pra quem ainda não conhece, além das já citadas pelo Rogério, eu recomendo:
Like A Texas Murder, Final Round, Oitão e Bayside Kings (Nacionais).
Cerebral Ballzy, United Blood, Black Breath, Coke Bust, Alpinist e pra namorar, os 2 eps do Crosses do Chino Moreno (Deftones)…hahaha.

Caio – União é um clichê que é falado, mas muitas vezes não é aplicado na nossa cena. Temos que ter humildade para descermos do pedestal do nosso ego, e respeitar a individualidade alheia. Querer impor regras ou esperar certo tipo de comportamento beira ao ridículo em um meio tão à margem da sociedade, um dos poucos lugares em que podemos expressar a nossa liberdade.
Nacionais: Ralph Macchio, Bullet Bane, Blackjaw
Internacionais: Alpha & Omega, For the Glory
Valeu aí Sujeira pelo espaço, tamo junto!

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FUTURO libera um som do EP que será lançado esse ano.

Futuro- Mila Leão @ Foto por: Mateus Mondini

O Futuro (antigo B.U.S.H.) acaba de soltar música inédita no seu bandcamp. A gravação é fresquinha, acaba de ser finalizada, apresentando para o mundo sua nova formação, que agora conta com um vocal feminino de primeira qualidade.  Mila Leão assumiu os vocais da banda no ano passado, não deixando a desejar e mantendo a qualidade dos sons impecável.

A faixa é intitulada “Sair de mim”, ela passa um clima de obscuridade, reforçando o estilo contemporâneo da banda (o que sempre foi notável), o reverb alucinante deixou o timbre de vocal bem intenso, as bases mesclam sujeira com melodia, claramente angariadas de clássicos do Punk Rock internacional, de escolas como Dischord, SST e toques de pós punk inglês.

Desde a época que levavam o nome de B.U.S.H. sempre foi uma marca registrada fazer algo diferente, que fugisse do senso comum hardcoreano naquele momento, não fazer algo genérico se tornou algo comum pra eles. As suas canções pedem um pouco de bagagem para serem assimiladas de primeira mão, porém é um prato cheio para os jovens sedentos por música boa, raivosa e que saiba inovar de uma forma positiva, sem forçar a barra. Eu já fiz esse comentário no post dos melhores de 2011, mas vale a pena citar outra vez que os mesmos já foram intitulados de Husker Dü tupiniquim pela MaximumRocknRoll (zine referência quando se trata de Punk Rock) e etc.

Bá Flávio e Pedro Carvalho - Gravação do disco "MMX" @ Foto por: Daigo Oliva

Voltando ao assunto da música, essa é apenas uma das três que estão prestes a sair no novo EP da banda, que será lançado em 7# pelo selo Nada Nada Discos, que é um dos grandes nomes que vem apoiando o que tem melhor no underground punk/hardcore nacional.

Capa do EP

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The Alchemists lança EP Sunny Days

The Alchemists no Sattva Bordô. Foto por: Breno Carollo

Volta Redonda é seguramente uma das cidades que abriga a maior concentração de boas bandas por metro quadrado. Desta vez quem está com gravação nova e surpreendendo a muita gente, é o The Alchemists, que acaba de lançar o EP “Sunny Days”. Mesmo com pouco tempo de existência, eles vêm se destacando devido a sua incontestável qualidade, tocando um Punk Rock garageiro limpo e criativo, no melhor estilo The Adolescents. Além do instrumental totalmente coeso, vale destacar o vocal, que é um dos melhores ouvidos pelo Punk brasileiro nos últimos anos.

O EP com certeza já garantiu seu lugar dentre os melhores lançados neste ano. A banda já foi citada pela Maximum Rock N’Roll, revista referência quando se trata de Hardcore/Punk. Se você curte um Punk Rock e ainda não conhece este magnifíco quarteto volta redondense, pode agora fazer o download aqui.

Se você é do Rio de Janeiro e quer comprovar a monstruosidade que é esta banda ao vivo, aí está a sua oportunidade de faze-lo.

Speed Kills volta com formação nova e força total em 2012

Foto por: Wander Willian

Uma das bandas mais absurdas que surgiram nos últimos tempos em território tupiniquim. Conexão entre paulistas e volta-redondenses que deu muito certo, dai surgiu o Speed Kills. Crust/Hardcore da mais fina qualidade, ótima pedida para fãs de Mob 47, Anti Cimex e Discharge.

Speed Kills ao vivo em Vila Velha 2012 @ Foto por: Heitor bonomo

Recentemente lançaram o seu primeiro 7# pelo selo Nada Nada Discos, dando ênfase a tudo de mais poderoso que possa se encontrar no estilo, rapidez, raiva e sujo o bastante para assustar qualquer leigo que se diz apreciador de música pesada.
A banda ficou um tempo de molho, pois alguns dos integrantes se encontravam em outras atividades, porém 2012 é o ano do apocalipse e eles decidiram voltar com força total para acelerar o processo e fazer a trilha sonora do fim do mundo.

Capa do 7# lançado pela Nada Nada Discos.

Ouça aqui:

Hoje eles contam com uma nova formação, Daniel (baixista) não pode continuar na banda, para assumir o lugar dele convidaram Douglas (Deaf Kids), no mais continuam os mesmos integrantes: Alemão (bateria) e Felipe Pato (Guitarra e Vocal).

Speed Kills nova formção (punx também curtem praia) 2012

Se você é um bom degustador de barulho, não perca tempo, conheça a banda e compareça aos shows.

Cenizas Metal Hardcore direto de Santiago do Chile faz sua 2ª turnê sul-americana

A fúria Metal Hardcore chilena volta ao Brasil pra mostrar que ainda tem gente com bom gosto tocando esse tipo de som pelos cantos do mundo. São respeitados em sua terra natal, onde o estilo ainda impera. É triste dizer, mas acho que se esses caras tivessem tocado aqui a uns cinco anos atrás o estrago seria muito feio, positivamente falando.
O que posso dizer é que para fãs de bandas como Arkangel, Heaven Shall Burn e etc. Os caras não ficam devendo nada, uma catarse de riffs e uma distorção ensurdecedora, que vai deixar maravilhado qualquer entusiasta do estilo. Abordam temas políticos que fazem mais jus a realidade dos mesmos, também focando em assunto plausíveis como a Libertação Animal. Para não haver nenhum tipo de senso comum, é legal citar que a banda não é Straight Edge, alguns integrantes levam o estilo de vida, porém não é uma postura da banda.

Assista ao vídeo Clip de “Animal Liberation” e conheça um pouco da banda:

A primeira turnê dos caras acabou passando um pouco batida, porém dessa vez parece que os caras estão indo pra “guerra”. Eu não sou um grande fã do estilo, mas faço um adendo, vale a pena ver de perto, pois poucas bandas com essa linha de som passam essa emoção que faz o sangue pulsar mais forte.
Cenizas ao vivo – Festival de Hardcore no Chile:

Vale ressaltar que os responsáveis pelos shows no Brasil são os meninos do Vendetta e Ralph Macchio, ambas as bandas vão marcar presença nas apresentações.

A banda fará três shows: Indaiatuba, Piracicaba e grande São Paulo. Segue os flyers a baixo.

Flyer dos três shows que vão acontecer no Estado de São Paulo.

Show em São Paulo mais detalhes aqui:
Show em Piracicaba mais detalhes aqui:
Show em Indaiatuba mais detalhes tratar com: aboutbrunomoneiro@gmail.com

Todos os eventos com preço acessível, por mais que você não se empolgue com o tipo de som, faça valer o esforço alheio, compareça aos eventos DIY.

Ouça Cenizas aqui:

Cripple Bastards: Datas de locais.

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Após mais de 20 anos em atividade os italianos do Cripple Bastards confirmaram sua primeira passagem pelo Brasil. Hoje a Peculio Discos, que está realizando estes shows anúnciou os locais e datas.

A banda que já foi bem popular dentro do circuito underground brasileiro, não tem sido muito comentada ou acompanhada nos últimos anos, talvez por ter passado por um hiato no que se refere a lançamento de material. Pra quem conhece e mantém o interesse pela banda, ou mesmo pra quem não conhece, mas curte um Grind/Crust (ou como a própria banda se intitula Hate Grind) , fica o anúncio mais que animador.

Ouça aqui.

cb

“São três décadas dedicadas ao Underground”, Entrevista com Boka (Ratos de Porão)

Banca da Peculio @ Hangar 110 - Foto por: Mateus Mondini

Boka, figura carimbada do Underground nacional. Neste post uma entrevista curtinha sem entrar em méritos de sua vida pessoal, apenas focando curiosidades e feitos no underground. Baterista da lenda do hardcore nacional Ratos de Porão, já passou bandas como Psychic Possessor, I Shot Cyrus e é dono do Selo Peculio Discos.
A conversa foi bem tranquila, respondendo algumas curiosidades e com bastante senso de humor. Boka está presente na cena independente a mais ou menos três décadas, continua sendo assíduo frequentador de shows grandes e pequenos, apoiando a cena hardcore DIY sempre. Se você nunca ouviu falar nesse cara, dê uma lida na entrevista e depois vai atrás dos discos do Ratos e do seus outros projetos.

Sujeira: Queria começar com uma curiosidade, completando 30 anos de banda, você escuta o mesmo tipo de som que ouvia há anos atrás ou os ouvidos ficaram mais sensíveis e não tem tocado tanto barulho no seu som?

Boka: Cara eu ainda escuto de tudo, tenho a cabeça um pouco mais aberta até, mas basicamente minha escola continua sendo Thrash Metal, Heavy Metal, Crossover, Punk e Hardcore. Também escuto Rock N Roll 70’ e um Jazz.

Sujeira: Depois do Lançamento do DVD (Guidable) que conta a história da banda, rolou um retorno legal do público, gente nova interessada na banda?

Boka: Nossa, o retorno do documentário foi muito bom, pois conseguiu atrair o interesse dos fãs do Ratos de todas as fases, que com certeza são um pouco diferente, gente nova interessada é difícil ter uma relação direta, mas nos shows sempre colam,uma galera misturada com os fãs mais antigos.

Capa do DVD Guidable, que conta a história da banda.

Sujeira: Apesar do Ratos ter um público fiel, com o passar do tempo lançando material mesmo que não seja de inéditas, sente uma renovação no público, moleque novo indo atrás da banda e tal?

Boka: Eu não consigo ver uma relação de renovação com o Ratos, acho que uma banda como a nossa história e legado vai sempre atrair gente nova que começou a curtir som agora, mas continuam aqueles que já curtiam. Por exemplo: A gente vê pessoas de 14-15 anos de idade usando camisetas do Dead Kennedys, Black Flag, Cólera, Discharge e RDP, então se for por ae, vemos uma renovação.

Sujeira: Fazendo uma comparação com “ontem” e hoje, existe alguma coisa que você olha pra trás e fala “Nossa, como isso faz falta” ou “Antes era melhor por causa disso” em relação a tudo no circuito musical que a banda vive e viveu. (Por quê?)

Boka: Eu não curto nostalgia, porém minhas três décadas dentro do hardcore me fizerem ver de tudo e ter minha opinião sobre cada fase. Eu acho que tudo é diferente, 25 anos atrás a paixão era diferente, muito mais intensa, as pessoas valorizavam mais as coisas, isso era muito bom, porém mesmo assim não existia a leva de informação, discos e shows que temos hoje. Então é somente diferente, podemos tentar abrir os olhos de muita gente com nossa experiência e mostrar que temos que encontrar um meio termo parar continuação do underground, dar relevância mesmo! Como dizia uma música do Sick Of It All: “Velha guarda, nova guarda, não tem importância se seu coração e sua atitude for verdadeira”

Psychic Possessor - 1989 @ Uma das primeiras bandas de hardcore da baixada santista.

Sujeira: O Ratos tem letras que em sua maior parte acabam fazendo mais sentido para o povo Brasileiro, em meio várias turnês pelo mundo já rolou uma identificação e troca de ideia com a galera de fora (mesmo que seja América do Sul)?

Boka: Com certeza, muita gente pergunta sobre as coisas que estão nas letras, sempre conversamos com as pessoas e acabamos informando e abrindo a cabeça de muita gente sobre a situação sócio-política-econômica do nosso país e do 3º mundo de forma geral.

Ratos de Porão na Europa, em uma de suas muitas turnês pelo velho continente.

Sujeira: Você acha que enquanto tiver saúde e fôlego não vai parar nunca com a banda? Já passo pela sua cabeça se aposentar do barulho?

Boka: Sim, na verdade parar com o Ratos é um pensamento que eu já tive várias vezes, mas acho normal, pra qualquer pessoas fazendo algo por 21 anos (que é o meu caso), por outro lado a banda é grande parte da minha identidade e não gosto muito da ideia de não fazer mais parte disso, porém quando acontecer é preciso ter maturidade e aceitar tocando a bola pra frente, engraçado é que sempre quando penso nessas coisas alguém me para na rua pra me elogiar, falar da banda e expressar o quanto somos importantes para o underground.

Ratos de Porão - foto promo 2011

Sujeira: Em todos esses anos tocando no Ratos, além das outras bandas que tocou em Santos certamente você já viu muita coisa “nascer e morrer”. Como você vê o cenário da música pesada aqui no Brasil (bandas, shows, selos e etc.) atualmente?

Boka: Cara eu acho que os últimos 10 anos são um sonho, tudo que sonhamos se “realizou”, bandas, saem discos, bandas de fora tocam aqui, tem shows direto, não existe muitas tretas em shows. Não estou dizendo que hoje é perfeito, mas acho que as coisas estão legais se tratando do cenário.

I Shot Cyrus @ Arapongas Paraná 2007

Sujeira: Você que pegou uma fase onde os jovens ainda não tinham acesso à internet, você acha que ela é indispensável hoje ou ela trouxe alguns males junto com a praticidade? 

Boka: Sim, sem sombras de dúvidas a internet tem mudado todas as relações humanas, estamos ainda em uma transição, não sabemos onde vai parar, mas já posso colocação sim, alguns males estão bem latentes devido essa praticidade descomunal.

Sujeira: Vender CD no Brasil tem sido uma meta difícil de alcançar tanto para bandas quanto para os selos. Pra você que tem um selo e que já lançou bastante material, existe alguma saída ou alternativa hoje em dia em sua opinião que não seja parar de lançar material?

Boka: O interesse diminuiu muito, as vendas caíram, não é possível pegar uma banda nova e investir cinco mil reais e fazer mil cópias pra vender, com certeza mais da metade vai ficar com você. O que rola muito hoje são os selos dividiram o lançamento, a conta fica menos pesada e é mais de espalhar o material, mas sinceramente o momento para bandas novas está muito ruim, já as que têm um público cativo fica ainda Ok pra se trabalhar.

Selo Peculio Discos!

Sujeira: Queria que você citasse alguns discos de Punk que mudaram sua vida, na sequência queria que você citasse os discos mais inusitados que você escuta, aqueles que o fã padrão de Ratos vai ficar de cara e falar “Não acredito que ele escuta isso!!!”

Boka: Cara com certeza os discos que mudaram a minha vida foram todos relacionados ao crossover dos anos 80, tanto inglês como americano. Discos do Heresy, Napalm Death, Corrosion of Conformity, Attitude Adjustiment e etc. Esses discos acabaram comigo de vez.
Hoje em dia eu escuto muito Jazz, nomes como Monk, Miles Davis, Blakey, Roach, Coltrane e etc. Mas também estou sempre na barulheira de Converge e Brutal Truth.

Sujeira: Agora você tem espaço pra divulgar seus projetos e mandar um salve e falar o que quiser, valeu mesmo Boka!

Boka: Cara eu é que tenho que agradecer pelo espaço, te parabenizo pela iniciativa, não quero dizer muitas coisas, somente que não existe melhor lugar que o hardcore. Faça Você Mesmo e sinceridade sempre!

Para mais informações: Peculio Discos