Entrevista com Victor Whipstriker

Primeiramente gostariamos de agradecer ao nosso amigo Luiz Menezes (a.k.a XMenezesX) não só por ter cedido, como ter nos oferecido essa entrevista feita com o Victor Whipstriker.

Sem mais delongas, como dito temos como entrevistado Victor Whipstriker, veterano e figura carimbada do Metal Underground carioca. além de tocar nas bandas Farscape, Atomic Roar e Whipstriker, Victor também organiza vários shows no Rio de Janeiro, fugindo totalmente ao estereótipo Rockstar, confiram.

1 – Como surgiu a idéia de montar um projeto que levasse seu nome? Você passou a compor depois que teve a idéia do projeto ou você já tinha esses sons e eles não se encaixam em suas outras bandas?

Victor: Opa!  Primeiramente agradeço pelo espaço e pela entrevista! Apóio todo tipo de iniciativa underground. Valeu pelo contato! Bom, definitivamente a idéia não era montar um projeto com meu nome (rs). Eu já usava “Whipstriker” como pseudônimo na outra banda que eu toco, o Farscape. O fato é que eu estava com um monte de música que eu vinha fazendo desde 2001, então um dia decidi começar a gravar os sons e lançar. Escolhi Whipstriker porque já parece com nome de banda. Sempre me perguntam se é um projeto solo. Na verdade, é um projeto coletivo, onde todos que estiverem a fim podem se juntar pra fazer um som, tocar ao vivo e gravar materiais. Minha idéia quando formei a banda era não depender de ninguém pra continuar fazendo som, isto é, não ter uma formação fixa. Três ou quatro pessoas numa banda pode ser um problema na medida em que é difícil conciliar os objetivos, horários e disponibilidade de todos ao mesmo tempo. Sendo um projeto coletivo, eu não precisaria depender de pessoas fixas e, neste sentido, a banda iria se manter sempre tocando, viajando e gravando.

 

2 – Quando eu ouvi o Whipstriker pela primeira vez, pirei em perceber as influências muito misturadas: Inepsy, Motorhead, Midnight, Venom, Warfare e até algo de Thin Lizzy e hard rock setentista me vieram à cabeça no ato. Nos discos seguintes, a influência crust ficou mais forte. A intenção original sempre foi fazer algo que misturasse seus estilos e bandas preferidas ou a coisa saiu desse jeito naturalmente?

 

Victor: Sim, a idéia sempre foi misturar tudo que eu curto. Eu gosto de várias coisas dentro do rock de uma forma geral. Curto desde bandas dos anos 60/70 como Thin Lizzy, UFO e Captain Beyond, até as bandas mais extremas como Morbid Angel, Sarcófago e Entombed, passando pelo punk, crust, thrash, heavy tradicional etc. Enfim, a idéia é realmente misturar as influências. Nos materiais já lançados, o álbum é mais rock n’ roll, as demos são mais crust e os EPs são mais uma mistura de punk e metal.

 

3 – Além do Whipstriker, você toca no Farscape e no Atomic Roar. O Atomic Roar, conceitualmente, é bem próximo do Whipstriker, né? Ambos ficam naquele lance metalpunk e tal. Como você faz pra dividir o que vai entrar numa banda e na outra?

 

Victor: É, o Atomic Roar tem uma proposta parecida mesmo (rs). Bom, na verdade eu acho que componho por demanda. Vou fazendo um monte de música e na medida em que for tendo demanda pra gravar, eu vou colocando nas bandas. Eu faço os sons, depois vejo onde vai entrar.

4 – Falando um pouco do Farscape, ouvi dizer que o próximo álbum vai ser mais death metal. O thrash metal cansou? O revival parece ter dado uma esfriada e poucas bandas se mantiveram. Como você vê isso?

 

Victor: Sim, o próximo do Farscape vai vir com uma pegada mais death metal misturado com thrash. Não acho que o thrash deu uma esfriada não, tem um montão de banda surgindo em todos os lugares todos os dias. No nosso caso, nós também sempre curtimos muito death metal. Agora essas influências estão voltando mais. Não sei porquê, é coisa do momento mesmo. As músicas naturalmente estão saindo mais death metal.

 

5 – A meu ver, a onda crossover/thrash metal foi substituída pelo metalpunk/speed metal. Você concorda? Acha que a cena punk e metal acabam ficando muito refém desses ciclos?

 

Victor: Bom, é fato que existem estilos que se sobressaem em determinados momentos, mas não sei ao certo qual é o medidor pra saber que estilo está mais em alta. Como falei acima, acho que a onda thrash fez surgir muita banda boa que se mantém e até hoje surgem bandas o tempo todo. Sobre o metalpunk, eu também não sei em que medida está. Nós andamos viajando pela Europa e Brasil e eu percebi ainda uma separação muito grande entre os estilos. Acho que o crust é o maior elo entre o metal e o punk. E, de fato, tenho visto o surgimento de muitas bandas crust, todo dia alguém me envia som de uma banda nova do estilo. O grande lance é você fazer o que gosta e não montar bandas de acordo com a tendência. As bandas da tendência sempre acabam em três ou quatro anos, quem faz o que gosta toca pra sempre.

 

6 – Todo mundo comenta sua participação na tour brasileira do Toxic Holocaust, hehe! O que eu queria saber é: Assim como projeto do Joel Grind que começou com ele sozinho e hoje é um trio, você também vai estabelecer um line up fixo com o Pedro e o Leonardo?

 

Victor: O Pedro e o Leo são praticamente meus irmãos. Convivo com eles desde os oito anos de idade. Começamos a curtir som juntos e montamos o Farscape, que está aí até hoje. O fato é que temos uma afinidade musical muito grande. São eles que têm tocado na maior parte dos shows, fizeram tanto a tour européia quanto a tour brasileira. Enfim, sempre que eles quiserem tocar eles tocarão. Falar em line-up fixo é complicado, mas enquanto eles quiserem tocar e gravar darei prioridade pra eles.

 

7 – Vocês do Farscape começaram a tocar bem novos, não? Como você conheceu os outros caras da banda e como você se apaixonou por esse som? O thrash foi de cara o estilo que te levou pro underground ou você teve uma iniciação anterior em outros estilos?

 

Victor: Conheci os caras do Farscape na escola. Todo mundo estudava junto e morava no mesmo bairro. Então além da escola, a gente também se encontrava pra jogar futebol. E assim a gente também começou a ouvir som junto. Primeiro formamos a banda eu, Leo e Pedro. Nessa época a gente só conhecia as bandas mais famosas tipo Metallica, Motorhead, Sepultura, Misfits, RDP, Iron Maiden etc. Logo depois o outro Victor entrou pra banda. Ele já andava com uma galera mais podrona e por isso já conhecia um monte de banda mais underground. Quando o Victor entrou, ele mostrou pra a gente as bandas de thrash/death/black metal. Foi aí que tudo mudou e decidimos ter uma banda de thrash. No começo a gente só queria fazer qualquer barulho e tocar uns covers quaisquer. Nessa época eu e Leo tínhamos 12 anos e o Pedro 11. O outro Victor quando entrou já tinha 16. E assim a gente foi indo até fazer músicas próprias, gravar demo, fazer show. Foi assim que entramos no underground.

 

8 – Em 98 quando vocês começaram a tocar, o thrash estava em baixa, era a época do black metal dominando o underground. Era mais difícil ser thrasheiro em 98, hehehe? Vocês acabaram se influenciando pelos estilos mais em voga na época?

 

Victor: É fato que naquela época o black metal estava em alta. Nos nossos primeiros shows a gente só tocava ao lado de bandas de black e death metal extremo e isso realmente influenciava bastante. Prova disso é que nossa demo é cheio de coisa death metal e até mesmo umas palhetadas mais black (rs); Mas logo no primeiro disco já mudamos pro thrashão mais tradicional. Hoje estamos reincorporando essas influências de death metal no nosso som. Eu lembro que a primeira vez que fui a um show underground foi pra tocar com o Farscape. Éramos quatro moleques tocando thrash ao lado só de banda de death e black Metal. Fiquei com medo de ser repudiado, mas não rolou nada, todo mundo era gente fina.

 

9 – Fora metal, você já disse que é muito fã de hard rock 70. E de punk hardcore, o que você ouve? Sua praia são as bandas mais crust ou você curte um hardcore americano também?

 

Victor: É verdade, curto muito rock n’ roll anos 60/70. Com relação ao punk, minha praia são as bandas mais violentas mesmo de crust. Curto o som mais podrão tipo Anti-Cimex e Crude SS. Hardcore americano não sou muito chegado, não. Acho legal e tal, mas não é um som que me empolga tanto.

 

10 – Conta essa história de que você era jogador de futebol aí. Você jogou por qual time?

 

Victor: Hahahaha, eu joguei futebol até meu 14 anos. Cheguei a disputar dois campeonatos cariocas no futebol de salão e no campo. Eu jogava pelo Olaria, clube do bairro onde eu morava, mas essa vida de futebol é pra escravo. Tinha treino todos os dias da semana e jogos nos finais de semana. Eu não tinha vida! Assim que formei a banda passei a rever meus conceitos. A vida do rock é muito mais legal!

 

11 – O Whipstriker, o Farscape, o Atomic Roar, o Apokalyptic Raids, o Diabolic Force, o Hellkommander e o Sodomizer são todas bandas da mesma galera e que dividem membros em comum. Além disso, alguns desses membros são irmãos. Se um dia vocês saírem na porrada, acaba metade do metal no Rio, hehehe?

 

Victor: É mano, tocamos em várias bandas. Mas o Rio tem muita banda boa. No momento cito duas excelentes: Grave Desecrator e Corpo Sem Órgãos. Além dessas tem outras ótimas como Warkoholik, Pós-Sismo, Inferno na Terra, Anopsy, Flagelador, Shorthrash, Thrasheira, D-ecreasing Life e várias outras. Mas a gente não vai cair na porrada, não. Se fosse pra acontecer, isso já teria ocorrido porque nos conhecemos faz tempo (rs)!

 

12 – Uma vez eu li uma entrevista sua em que você dizia que gostava de carnaval, e que via na festa uma posição anti-Igreja. Explica melhor esse seu ponto de vista aí:

 

Victor: Eu curto carnaval (rs)! Na verdade eu curto toda a zoação que gira em torno do carnaval. Trata-se de uma festa cristã, mas na verdade é uma festa quase satanista: mulheres nuas, homens vestidos de mulher, bêbados espalhados por todos os lados, ruas fedendo a vômito, mijo e sexo, festa 24 horas, promiscuidade, libertinagem etc. Todos esses elementos me fazem gostar do carnaval. Por outro lado, é uma alienação extrema. Muitas pessoas vivem em função do carnaval e esperam por isso o ano todo. Quando chega o carnaval todo mundo esquece todos os problemas, bem como a letra do RDP diz.

 

13 – Você é professor, correto? Já deu aula pra algum protótipo de headbanger? Algum aluno já veio te pedir pra você indicar uns sons? E se pedisse, o que você indicaria?

 

Victor: Tem sempre uns alunos roqueiros na sala, mas nunca indiquei nada pra ninguém não. Só uma vez uma aluna perguntou se eu era roqueiro. Eu disse: “Claro que sim!”, aí ela pediu pra eu dizer as bandas que eu gostava. Eu escrevi no quadro “Anti-Cimex” e disse pra ela procurar ouvir que era bem legal.

 

14  – Você é um dos responsáveis pela cena aqui ter dado uma aquecida, ao menos em termos de shows, com os Noize as Fuck que vem organizando. Quais bandas você tem vontade de trazer pra tocar aqui? E quais as dificuldades em organizar show no Rio?

 

Victor: Rapaz, tem muita banda que eu queria trazer pra tocar aqui: Defy, Social Chaos, Violator, By War, Blasthrash, Braindeath, Projjeto Macabro, Blasfemador, Facada, Pesticide, Slaver, Deathraiser, Deluge Master, Beast Conjurator, Carrasco, Bonebreaker, Besthoven, Death from Above, Terror Reevolucionário, Subterror, tem uma lista muito grande. A dificuldade de organizar show é sempre a equação entre preço, local, equipamento, expectativa de público. No momento ta rolando show no Underground Cultural no centro do Rio e o esquema lá é bem favorável pra organizar eventos. Faço tudo o que eu posso pra movimentar a cena nesse sentido.

 

15 – Nos shows que você organiza, você gosta de dar chances às bandas iniciantes. Quais novas bandas daqui você vê com mais potencial? Alguma que você curta mais?

 

Victor: Sim, a idéia é colocar as bandas novas pra tocar, claro. Sou totalmente contra as panelinhas, ou seja, fazer eventos sempre com as mesmas bandas. Das bandas iniciantes eu curto mais o Corpo sem Órgãos, eles tocam um crust bem louco!

 

16 – Você acabou de fazer uma tour bem extensa pelo Nordeste. Como foi a experiência? Existe algum lugar no Brasil que você não tocou, mas gostaria? Alguma banda que acharia bacana dividir o palco?

 

Victor: Fizemos 15 shows no Nordeste esse ano. Eu acho a cena do Nordeste como um todo extremamente foda! Muita gente comparece nos shows e compra material. A experiência foi muito legal, fomos bem recebidos em todos os lugares e nenhum produtor fez nenhum tipo de merda. Tenho vontade de tocar em todos os lugares, não só no Brasil, como no mundo. Mas sendo mais específico, gostaria de tocar na região Sul, pois nunca fomos pra lá. Tenho vontade de tocar em Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá, Porto Alegre, Caxias do Sul. O interior de São Paulo também é muito foda, gostaria de fazer uma mini-tour pelo interior paulista.

 

16 – Além de jogar bola e gostar de carnaval, você também vai à praia (eu vi as fotos com os Black Coffins, hehehehe!). Praia, futebol e carnaval é melhor que deserto, explosão nuclear e mundo pós-apocalíptico, o trinômio metalpunk no resto do mundo? O hedonismo é a resposta carioca ao metal? Hehehehe.

 

Victor: Claro que eu curto ir à praia! Não há nada melhor que ir a praia e tomar uma cerva com os amigos (rs). O Metalpunk serve pra isso: pra fazer um som com letras que falem sobre todos esses problemas nucleares para que a praia não deixe de existir nunca, ou melhor, para que a praia não fique poluída com resíduos atômicos. Viva o hedonismo com responsabilidade!

 

17 – Ano passado você lançou o split com o Germbomb (em minha opinião, um dos seus melhores lançamentos até agora). Quais os projetos pra 2012? Suas outras bandas vão lançar alguma coisa? Vai rolar tour na Europa novamente?

 

Victor: A idéia é continuar na ativa fazendo shows e gravando materiais. O novo do Farscape sai esse ano ainda em CD e LP pela Bestial Invasion Recs da Escócia. Também quero gravar o novo Whipstriker esse ano, só ta faltando juntar a grana. Se conseguirmos juntar grana, queremos ir pra Europa, mas agora com o Farscape. Esses são os planos de 2012. E já começamos o ano fazendo essa tour no Nordeste, que foi bem proveitosa na minha opinião.

 

18 – Deixa um recado final pros leitores do zine. E o contato pra quem quiser manjar seu som e comprar seus discos.

Victor: Novamente agradeço pelo apoio. Continuem sempre fazendo esse trabalho de zineiro porque isso é muito importante pra cena como um todo. Quem quiser sacar o som é só entrar no myspace: www.myspace.com/whipstriker

 

Valeu pela força!

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4 respostas em “Entrevista com Victor Whipstriker

  1. muito boa a entrevista, parabéns. fiquei curioso quando a essas bandas que ele citou, não conheço 1/3.

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