Urutu: a nova onda do heavy metal brasileiro.

Em meio ao caos e inferno chamado São Paulo, emerge o mais novo representante do Heavy Metal feito por Punks da cidade, o Urutu. Banda que conta com membros do D.E.R. Naifa, Braindeath e L’enfer, mistura Heavy Metal e Punk, sem muitas invenções, porém longe do óbvio. Vale destacar o fato de todas as músicas divulgadas possuirem ótimas letras, todas em português e impressionantemente cumprem a façanha de não soar brega, tarefa dificílima. Os apreciadores de NWOBHM, principalmente das bandas mais sujas como Warfare, com certeza sentirão a descarga de energia disparada por esta banda logo nos primeiros acordes e banguerão loucamente durante os três sons. Se você curte um Heavy Metal com riffs poderosos, mas que dispensam qualquer tipo de virtuosismo musical, não perca tempo, vá até o bandcamp, ouça o Urutu e apoie o verdadeiro metal nacional.

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AGAINE voltou e o Sujeira colou…

Againe (visual boston) – Casa do Mancha @ Foto Por: Ricardo Augusto

Muita coisa rolou até esse show acontecer. Againe, um dos grandes nomes do hardcore dos anos 90 anuncia sua volta. Quando a banda anunciou na internet a notícia, todos disseram “não perco por nada”, o fato é que, na internet todo mundo diz qualquer coisa, no fim das contas só compareceu quem realmente gostava da banda, amigos e etc.
Sexta feira, 20h, todos os entusiastas já estavam ansiosos pro começo do show. Os caras voltaram com a última formação da banda, que gravou o 7# “Sem Açucar” que é: Carlinhos na voz, Fusco bateria, Ed guitarra, Fernando Sanches guitarra e Gulherme Granado baixo. O Fusco atrasou um pouco, mas chegou a tempo pra tocar. O show já começou pesado com “Action Book” já emendada com “Neoliberalismo”. A festa correu perfeitamente. Como já citado acima, eles são veteranos na cena paulista, muitos alí inclusive eu estavam vendo de verdade pela primeira vez, então com certeza era um momento especial. Há tempos eu não sentia uma energia tão forte em show.O público era bem mesclado, uma galera mais jovem, uma galera mais adulta, gente que não se encontra em shows comuns, mas rolou respeito e foi sensacional. A cada acorde que a banda dava, eu sentia a fúria e pensava, ” Isso é muito hardcore, pode chamar de rock pesado e etc. Eu chamo de hardcore”, vocalista cantando do fundo da alma, como se não houvesse amanhã, sem mascara, sem molde, uma banda que copiava a sí própria.
Againe (Pointing Fingers) - Casa do Mancha @ Foto por: Ricardo Augusto

Againe (Pointing Fingers) – Casa do Mancha @ Foto por: Ricardo Augusto

Quem estava na linha de frente do palco podia sentir a energia que era fazer parte daquilo, tudo cantado com um sentimento em volta.
Os caras tocaram 30 minutos, que foi o bastante pra galera se divertir com stage dives, um pit da amizade (pois o espaço era bem pequeno). A velha escola pode matar a saudade e a felicidade dos jovens ali presentes foi garantida.

stage dive @ foto por: Oswaldo Corneti/ We Shot Them

stage dive @ foto por: Oswaldo Corneti/ We Shot Them

A conclusão: não importa o que você quer falar, seja sincero, coloque pra fora o que você tem vontade, isso é o punk rock, hardcore, como quiser chamar. As pessoas podem ler isso e achar que estou forçando a barra, olhe pra sua volta e procure algo que faz seu sangue pulsar de verdade, abraçar quem você não conhece e se emocionar de verdade. O sistema já tenta aprisionar as pessoas todos os dias, vamos jogar limpo com a única saída que nós temos…

Mais fotos por: Oswaldo Corneti/ We Shot Them
Mais fotos por: Ricardo Augusto

    Vídeo de “Só diz não sei” por: Tinico.

Na rede o teaser do show mais insano da Virada Cultural

Assista o teaser de um dos acontecimentos mais cabalísticos até hoje na cidade de São Paulo. Continuando a saga do último post, nesse clip você poderá ver a insanidade que foi esse último sábado na Virada Cultura. Esse material será transformado em um documentário, mostrando as facetas de como é produção de algo desse porte e o resultado de todo o esforço em si.

São imagens fortes, que conseguem retratar bem o quão infernal foi esse show, que parou o largo do Paissandú, puxando todos os rockeiros como se fossem imãs para o redor do palco.
A captação do áudio fico com Cleiton Travolta Discos e as imagem com o Xavero (eu), Blake Farber, Camaleão, Ailton Lucena e Tomás Moreira.

A ideia de fazer os vídeos é coletiva, todos opinam um pouco com suas mentes diabólicas. Tomás editou o teaser e bolou essa sequencia de imagem, que de cara mostra a pluralidade cultural presente no local, dando esse gostinho de quero mais pra quem ver o vídeo.

 “A ideia do teaser é deixar o cara com vontade de ver o vídeo principal, no vídeo principal vamos mostrar um pouco de como foi em 2011 na virada com o Test” Diz Tomás.

Como não foi citado no post anterior, vale a pena dizer que essa é a segunda vez que o Test se apresenta na Virada Cultural dessa forma. A primeira vez a banda se apresentou sozinha, dessa vez rolou o evento completo, convidando outros grupos. O documentário será a compilação desses dois shows, detalhadamente, retratando todos os fatos ocorridos, diversão e barulho garantido.

Leia a resenha aqui

Assista, compartilhe o post e veja o que você perdeu, caso você esteja no vídeo, fique feliz por ter presenciado esse momento épico.

“Palco” TEST na Virada Cultural parou o Largo do Paissandú

Foto por: Xavero @ D.E.R. Palco TEST

Foto por: Xavero @ D.E.R. Palco TEST (clique na foto e veja em alta resolução)

Largo do Paissandú, quase 1h da manhã e começa a funcionar o palco mais obscuro da Virada Cultural. O Palco Test. Os organizadores convidaram as bandas mais barulhentas da cidade para esta destruição sonora. O fato do palco não fazer parte da programação oficial do evento não fez diferença alguma pra aqueles que estavam assistindo, o público presente se divertiu como se não houvesse amanhã. O protagonista dessa empreitada foi o vocalista e guitarrista da banda Test, João, conhecido também como João Kombi, que fez milagre com o equipamento, tirando um som absurdo, levantando poeira em meio à confraternização de punks, metaleiros e cidadãos comuns com nível etílico elevado.

Uma banda já havia se apresentado quando cheguei ao local. O largo estava fechado de gente, cena típica de show de bairro ou até mesmo de festas de banda cover. Tocavam rock n roll, sem muito foco em um estilo só. O baterista batia pesado, a execução das músicas era ótimas, confesso que peguei uma música e meia dos caras, mas logo de cara, pude notar o entusiasmo do público em relação a banda. O ápice do show pelo que percebi foi o último som, um cover de “From Whom The Bell Tolls” do Metallica, que levou a delírio os rockeiros bebedores de químico, ali presentes.

Na sequência dos rockeiros entram os homens de preto, o Social Chaos liga tudo muito rápido e já começa a devastação D-beat no local. O público ficou inerte durante os primeiros segundos, quase certo que muitos ali nunca haviam escutado um som daquele tipo. Embora nada estivesse fazendo muita diferença. O som era pesado e rápido, perfeito para a ocasião. O quarteto fez um set curto, o vocalista Borela tentou se comunicar com a galera, mas não obteve muito êxito, pois o nível de insanidade ficava  mais alto a cada segundo.

A festa seguia e entrava em cena a banda Orozco. Com uma pegada mais stoner rock os caras começaram o show cheios de gás, o vocal tinha um timbre grave, lembrando um pouco algumas fases do Melvins, mas arriscava alguns berros em meio a tentativas de melodia, bateria quebrada, guitarra cheia de peso. Para ser sincero, não era bom, as músicas acabavam sendo um pouco confusas, sem muito pé nem cabeça. O vocalista tentava ser engraçado, criando um estilo próprio ali pra chamar atenção, chegando a soar pretensioso. O público não assimilou muito bem. Rolou até aquele lance de apresentar músicos, típico de bandas que vão a programas de televisão, o que foi um dos pontos mais baixos da apresentação. A molecada deu uma esfriada boa durante o show dos grupo, muita gente se dispersou. Não desmerecendo a competência dos músicos, que eram ótimos, por sinal. Até vale citar o baixista que mandava muito bem, posso colocar a culpa no equipamento, talvez já estivesse saturado, entretanto aquelas pessoas estavam sedentas por brutalidade sonora. Os jovens eram receptivos a duas opções: tocar muito rápido e pesado ou qualquer música do Nevermind do Nirvana, algum clássico do rock.

Para alegria da multidão, principalmente dos grinderos, chegava a hora do ex trio grindcore ocupar o largo, Hutt. O show começa como se fosse um trator andando pelas redondezas da galeria do rock. O quarteto tocou uma sequência de sons que já se tornaram clássicos, do álbum “Sessão Descarrego”. Os seres humanos que permaneciam em pé ficaram fora de si, todos os espíritos ruins que estavam adormecidos em seu subconsciente vieram à tona, nunca vi um público tão ignorante como este. Cerca de 200 pessoas se batendo de uma forma absurda, trombadas eram carinhos para aqueles que foram astros desse pit, todos tão anestesiados que deixaram a dor sem segundo plano.

Tudo bem, muita calma, na sequência deles veio o Sistema Sangria, Hardcore pesado, o show regado de palavrões, muito “Filho da Puta” nas letras, o que fazia qualquer “noiaba” se identificar e cantar sentindo-se um rei com o poder desta palavra. Confesso que sou um pouco leigo a respeito da banda, mas fizeram uma apresentação ótima, cheguei a arriscar um comentário sobre a banda, que parecia um “Hatebreed tupiniquim”, mas também é notável a influência de hardcore brasileiro no som dos caras, RxDxPx no caso. O fato é que eles fizeram um show honesto, pesado e a sua própria maneira. Na hora que o Sistema Sangria tocava o público começou a ficar mais sem noção, o momento catártico da apresentação foi quando um indivíduo que estava fora de sí começou a escarrar nas mãos e passar no rosto, logo na sequência tentou agredir o vocalista, não se sabe por que, mas não demorou muito para os amigos comprarem a briga e tirar o cara de cena.

Com tudo resolvido após este clima um tanto quanto tenso, então era hora da penúltima banda do palco mais barulhento da virada. Com sutileza e silêncio, começaram os primeiros acordes dos mestres do Grindcore nacional, D.E.R. Os caras tocaram quase um set normal de show, em um sistema de emendar músicas, no melhor estilo powerviolence. Fizeram país de família que estavam passando ali por perto jorrarem sangue dos ouvidos. A galera que fazia parte do “pit inconsequente” se superou na hora do D.E.R. A “brincadeira” chegou a um extremo em que eu via jaquetas da “Independente” (torcida organizada do São Paulo) “Mancha Verde” (torcida organizada do Palmeras), roupas de surf e etc. A parada já havia deixado de ser diversão faz tempo e começou atrair gente muito mal intencionada que passava pelo largo naquele momento. Flagrei vários momentos bizarros, que lembrando agora até são hilários, mas na hora me chocaram intensamente. Pra se ter uma noção, eram voadoras programadas vindas de todos os lados, socos na cara com intensão óbvia de machucar, as pessoas estavam em outro mundo, já dominadas pelo álcool e outras substâncias, como já citado acima, novamente a dor era o que menos importava. É triste, mas em eventos gratuitos como esse, que juntam todos os tipos de pessoas em um único ambiente, é impossível só manter um nível de compaixão. Tudo bem, mesmo com esses fatos ocorridos o D.E.R. fez um tremendo espetáculo grindcoreano, nada atrapalhou, quem gostava da banda ficou colado com os caras durante o show todo e quem não gostava, passou a gostar.

Chegando ao fim das apresentações, eram quase 3 horas da manhã, muita gente em estado terminal, olhos roxos, nariz sangrando, coma alcoólico e tudo de pior que se possa imaginar. Entram no “palco” os anfitriões, TEST. O fato de não ter baixo na banda deixou o som mais limpo, que acabou soando melhor pra quem estava no público, a dupla levantou vários mortos vivos, que eu jamais acreditaria que poderiam voltar à vida, pelo menos naquela noite. Os caras fizeram um set rápido e matador, com vários dos hits virtuais da banda e sem muitas novidades. Fecharam com chave de ouro o show que fez jus ao que se chama de contra cultura.