“Palco” TEST na Virada Cultural parou o Largo do Paissandú

Foto por: Xavero @ D.E.R. Palco TEST

Foto por: Xavero @ D.E.R. Palco TEST (clique na foto e veja em alta resolução)

Largo do Paissandú, quase 1h da manhã e começa a funcionar o palco mais obscuro da Virada Cultural. O Palco Test. Os organizadores convidaram as bandas mais barulhentas da cidade para esta destruição sonora. O fato do palco não fazer parte da programação oficial do evento não fez diferença alguma pra aqueles que estavam assistindo, o público presente se divertiu como se não houvesse amanhã. O protagonista dessa empreitada foi o vocalista e guitarrista da banda Test, João, conhecido também como João Kombi, que fez milagre com o equipamento, tirando um som absurdo, levantando poeira em meio à confraternização de punks, metaleiros e cidadãos comuns com nível etílico elevado.

Uma banda já havia se apresentado quando cheguei ao local. O largo estava fechado de gente, cena típica de show de bairro ou até mesmo de festas de banda cover. Tocavam rock n roll, sem muito foco em um estilo só. O baterista batia pesado, a execução das músicas era ótimas, confesso que peguei uma música e meia dos caras, mas logo de cara, pude notar o entusiasmo do público em relação a banda. O ápice do show pelo que percebi foi o último som, um cover de “From Whom The Bell Tolls” do Metallica, que levou a delírio os rockeiros bebedores de químico, ali presentes.

Na sequência dos rockeiros entram os homens de preto, o Social Chaos liga tudo muito rápido e já começa a devastação D-beat no local. O público ficou inerte durante os primeiros segundos, quase certo que muitos ali nunca haviam escutado um som daquele tipo. Embora nada estivesse fazendo muita diferença. O som era pesado e rápido, perfeito para a ocasião. O quarteto fez um set curto, o vocalista Borela tentou se comunicar com a galera, mas não obteve muito êxito, pois o nível de insanidade ficava  mais alto a cada segundo.

A festa seguia e entrava em cena a banda Orozco. Com uma pegada mais stoner rock os caras começaram o show cheios de gás, o vocal tinha um timbre grave, lembrando um pouco algumas fases do Melvins, mas arriscava alguns berros em meio a tentativas de melodia, bateria quebrada, guitarra cheia de peso. Para ser sincero, não era bom, as músicas acabavam sendo um pouco confusas, sem muito pé nem cabeça. O vocalista tentava ser engraçado, criando um estilo próprio ali pra chamar atenção, chegando a soar pretensioso. O público não assimilou muito bem. Rolou até aquele lance de apresentar músicos, típico de bandas que vão a programas de televisão, o que foi um dos pontos mais baixos da apresentação. A molecada deu uma esfriada boa durante o show dos grupo, muita gente se dispersou. Não desmerecendo a competência dos músicos, que eram ótimos, por sinal. Até vale citar o baixista que mandava muito bem, posso colocar a culpa no equipamento, talvez já estivesse saturado, entretanto aquelas pessoas estavam sedentas por brutalidade sonora. Os jovens eram receptivos a duas opções: tocar muito rápido e pesado ou qualquer música do Nevermind do Nirvana, algum clássico do rock.

Para alegria da multidão, principalmente dos grinderos, chegava a hora do ex trio grindcore ocupar o largo, Hutt. O show começa como se fosse um trator andando pelas redondezas da galeria do rock. O quarteto tocou uma sequência de sons que já se tornaram clássicos, do álbum “Sessão Descarrego”. Os seres humanos que permaneciam em pé ficaram fora de si, todos os espíritos ruins que estavam adormecidos em seu subconsciente vieram à tona, nunca vi um público tão ignorante como este. Cerca de 200 pessoas se batendo de uma forma absurda, trombadas eram carinhos para aqueles que foram astros desse pit, todos tão anestesiados que deixaram a dor sem segundo plano.

Tudo bem, muita calma, na sequência deles veio o Sistema Sangria, Hardcore pesado, o show regado de palavrões, muito “Filho da Puta” nas letras, o que fazia qualquer “noiaba” se identificar e cantar sentindo-se um rei com o poder desta palavra. Confesso que sou um pouco leigo a respeito da banda, mas fizeram uma apresentação ótima, cheguei a arriscar um comentário sobre a banda, que parecia um “Hatebreed tupiniquim”, mas também é notável a influência de hardcore brasileiro no som dos caras, RxDxPx no caso. O fato é que eles fizeram um show honesto, pesado e a sua própria maneira. Na hora que o Sistema Sangria tocava o público começou a ficar mais sem noção, o momento catártico da apresentação foi quando um indivíduo que estava fora de sí começou a escarrar nas mãos e passar no rosto, logo na sequência tentou agredir o vocalista, não se sabe por que, mas não demorou muito para os amigos comprarem a briga e tirar o cara de cena.

Com tudo resolvido após este clima um tanto quanto tenso, então era hora da penúltima banda do palco mais barulhento da virada. Com sutileza e silêncio, começaram os primeiros acordes dos mestres do Grindcore nacional, D.E.R. Os caras tocaram quase um set normal de show, em um sistema de emendar músicas, no melhor estilo powerviolence. Fizeram país de família que estavam passando ali por perto jorrarem sangue dos ouvidos. A galera que fazia parte do “pit inconsequente” se superou na hora do D.E.R. A “brincadeira” chegou a um extremo em que eu via jaquetas da “Independente” (torcida organizada do São Paulo) “Mancha Verde” (torcida organizada do Palmeras), roupas de surf e etc. A parada já havia deixado de ser diversão faz tempo e começou atrair gente muito mal intencionada que passava pelo largo naquele momento. Flagrei vários momentos bizarros, que lembrando agora até são hilários, mas na hora me chocaram intensamente. Pra se ter uma noção, eram voadoras programadas vindas de todos os lados, socos na cara com intensão óbvia de machucar, as pessoas estavam em outro mundo, já dominadas pelo álcool e outras substâncias, como já citado acima, novamente a dor era o que menos importava. É triste, mas em eventos gratuitos como esse, que juntam todos os tipos de pessoas em um único ambiente, é impossível só manter um nível de compaixão. Tudo bem, mesmo com esses fatos ocorridos o D.E.R. fez um tremendo espetáculo grindcoreano, nada atrapalhou, quem gostava da banda ficou colado com os caras durante o show todo e quem não gostava, passou a gostar.

Chegando ao fim das apresentações, eram quase 3 horas da manhã, muita gente em estado terminal, olhos roxos, nariz sangrando, coma alcoólico e tudo de pior que se possa imaginar. Entram no “palco” os anfitriões, TEST. O fato de não ter baixo na banda deixou o som mais limpo, que acabou soando melhor pra quem estava no público, a dupla levantou vários mortos vivos, que eu jamais acreditaria que poderiam voltar à vida, pelo menos naquela noite. Os caras fizeram um set rápido e matador, com vários dos hits virtuais da banda e sem muitas novidades. Fecharam com chave de ouro o show que fez jus ao que se chama de contra cultura.

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6 respostas em ““Palco” TEST na Virada Cultural parou o Largo do Paissandú

  1. Pingback: Na rede o teaser do show mais insano da Virada Cultural | Sujeira WebZine

  2. Pingback: Virada Cultural – Palco Test « Norópolis

  3. Eu estava lá, de passagem, mas estava. E esse cover do Metallica foi sensacional. Balancei a cabeça como há muito não fazia. Abs Xavero, mandou muito bem, tanto na resenha, quanto na produção do vídeo.

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