Exposição de Martin “Crudo” chega à São Paulo

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Na próxima semana será aberta a exposição de umas das figuras mais prolíficas do Hardcore/Punk Mundial, Martin “Crudo”.

Martin Sorrondeguy nasceu no Uruguai no final da década de 60, ainda novo, mudou-se para Chicago (EUA) com os pais. Começou a se envolver com a cena Hardcore/Punk no início dos anos 80, por meio de bandas e zines. Paralelo a sua paixão pela música, também veio o interesse por fotografia, indo a concertos, começou a praticar essa forma de expressão fotografando bandas de amigos e alguns grupos se encontravam em turnê naquela época.

Nos anos 90 o músico foi fundador da banda Los Crudos, referência quando o assunto é hardcore e cultura “faça você mesmo”. Além dos Crudos, que foi seu projeto musical mais conhecido, Martin também foi vocalista do Limp Wrist, grupo fundador do estilo musical intitulado “QueerCore”, explora a temática GLS, com letras pró-gay e anti preconceito.
crudos

Muito popular no meio alternativo, Martin conquistou um enorme respeito dentro da cena Hardcore. Tornou-se professor de fotografia, mas abandonou a profissão para se dedicar a fotografia como arte. Fazendo exposições de seu trabalho ao redor do mundo, valeu-se de grande experiência com viagens e turnês feitas com baixo custo, para viabilizar estas experiências.
Atualmente escreve e fotografa para a Maximum Rock N Roll, a revista/zine punk mais antigo em circulação.

Recentemente Martin lançou um livro de fotos chamado Get Shot, que conta com fotos tiradas durante 27 anos de turnê. O impresso tem capa dura, 250 páginas e foi lançado selo “Make a Mess”. As imagens representam a cena underground do mundo inteiro, dando ênfase, porém, a cena Punk e suas vertentes. Os registros contém nomes de peso como Fugazi, Operation Ivy, Dropedead, dentre outros. O trabalho é descrito como “um olhar vindo de dentro”, e leva qualquer leigo a conhecer a arte obscura que existe na cultura alternativa.

martin livro

A exposição contará com fotos que fazem parte do livro, além de algumas novidades. Imagens registradas no Brasil, EUA, Canada, Austrália, Japão, Peru e Argentina têm como objetivo mostrar a pluralidade dessas cenas locais. A exposição já passou por todos os países citados, com exceção do Peru, e agora chegou à vez do Brasil. O trabalho será exposto no espaço Matilha Cultural no centro de São Paulo e a abertura ficará por conta de bandas ligadas a contra cultura e a cena punk nacional.

No dia 9 de abril é aberta a exposição e haverá show com as bandas:

Likso, um projeto em formato de trio, que toca o hardcore no estilo mais cru e barulhento.

A outra apresentação fica por conta do Rakta, quarteto de feminino, que mescla muita psicodelia, experimentalismo e pós-punk.

No dia seguinte, 10 de abril, haverá a apresentação do filme Beyond The Screams: A U.S. Latino Hardcore Punk Documentary, um documentário que mostra a cena hardcore latino americana dentro dos Estados Unidos. Na sequência, será iniciado um bate papo com Martin – idealizador da produção – onde o espaço será aberto para perguntas e troca de ideias.

Quando: de 9 a 12 de abril.

Onde: Matilha Cultural – R. Rêgo Freitas, 542 – Republica, SP

Quanto: Grátis.

*Este projeto é feito de forma totalmente independente, sem apoio de qualquer marca ou empresa. É uma parceria entre a Matilha Cultura e a cena hardcore/punk.

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Entrevista com a banda Espanhola APPRAISE

Estamos de volta depois de um longo tempo de férias e muitos dias sem aparecer. Eu sei que palavras parecidas já foram ditas, mas prometemos manter esse espaço mais atualizado.

O ano de 2013 com certeza está começando bem para os brasileiros que apreciam a cultura alternativa. É janeiro e já temos três turnês de bandas estrangeiras marcadas aqui (Appraise, Los Crudos e Cruel Hand), isso que estou focando apenas no cenário hardcore.

appraise fotona

Para começar bem o ano quem desembarca no Brasil é o Appraise, quarteto pouco conhecido por aqui, mas não os seus membros. A banda é o novo projeto de alguns integrantes do mítico CINDER. O som não foge muito do estilo do antigo projeto, seguindo a linha “old school” de clássicos do youth crew, mas com a simplicidade e energia do hardcore americano do começo dos anos 80. Tive o prazer de ver o show dos caras em Barcelona em 2012 e posso dizer uma coisa: É MUITO BOM!!

Eu não vou ser muito longo na apresentação, pois abaixo de minhas palavras segue uma entrevista que eu fiz com o vocalista, Gabi Edge. Aqui você vai entender a proposta da banda, suas ideias, o que eles esperam dessa turnê e algumas curiosidades. Divirta-se.

Sujeira: Como surgiu a ideia de montar a banda?

Gabi Edge: A banda surgiu há 1 ano mais o menos. Anteriomente nós tocavamos em uma banda que se chamava “Power”, mas o guitarrista foi viver em Vancouver e o baterista quis focar em outros projetos.
Depois disso decidimos continuar tocando, mas com outro nome e novas influências, não muito diferentes. Logo em seguida nosso amigo Eric (Cinder) entrou na bateria. Alguns ensaios e já gravamos a primeira demo e logo um 7EP. Recentemente gravamos uma demo com 4 músicas, que será uma prévia do nosso próximo 7″.

 A banda é bastante jovem, mas temos muita sorte de ter tocado em vários shows em nossa cidade e um pouco pela Espanha. Agora nós temos a grandiosa sorte de poder tocar na América do Sul!!

Sujeira: O hardcore old school é estilo favorito dos straight edge’s de Barcelona?

Gabi Edge: Acho que para alguns sim!! Eu não acho que existe uma cena straight edge grande em Barcelona, somos poucos, mas comprometidos. Eu acho que o youth crew sempre tera um lugar especial dentro do straight edge.

Sujeira: Conte um pouco sobre a cena local de vocês, como é a organização de shows e como cada integrante é ativo na cena.

Gabi Edge: A cena em Barcelona é bem pequena, mas com um bom ambiente. A organização de shows é algo que fazemos entre amigos. Obviamente eu falo de hardcore DIY (claro que existem bandas que estão a médio caminho do mainstream ou pelo menos pretendem estar hahaha)

Joan e Eric tocam no Col·lapse, que soa como todas essas bandas mais melódicas de Washington DC, que eles gostam muito. Miguel toca no Pay The Cost (straight edge hardcore). Eu estou no Appraise, organizando shows, ajudo no que posso e no que me motiva.

Joan ajuda muito desenhando flyers, layouts, etc. Eric é um grande fotografo, fez uma reportagem nos últimos anos sobre a cena hardcore em Barcelona!

Sujeira: Essa é a primeira turnê da banda? Caso seja, por que escolheram a America do Sul?

Gabi Edge: Como eu comentei antes, tocavamos no Power, Varsity Records (selo argentino) lançou uma demo nossa e comentaram de irmos fazer alguns concertos na América do Sul. Quando começamos com o Appraise, essa ideia surgiu de novo.

Eu nós dissemos, por que não? Todos temos bons amigos lá. Cinder foi 2 vezes e sempre nos contaram coisas maravilhosas. Agora chegou a vez de viver tudo isso em primeira pessoal!!!!

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Sujeira: O que estão esperando dos shows do Brasil?

Gabi Edge: Bom, somos uma banda nova, não podemos ter nenhuma expectativa!! Mas eu espero passar bons momentos com os amigos, desde os que conhecemos na europa até os que conhecemos no Brasil! Mas acima de tudo, comer muito açai hahah!

Agora é sério, tocar com nossos amigos que conhecemos na Europa! Tenho muita vontade de tocar com Good Intentions e Positive Youth. Eu gostaria muito de tocar com o Personal Choice, mas eu sei que isso não vai acontecer (essa banda é incrível)

Sujeira: Na sua opinião, o que mais te incomoda no hardcore e o que você mais ama no hardcore atual, que não te deixa abandonar esse estilo de vida?

Gabi Edge: Nossa, poderia ficar horas aqui para responder essa pergunta, mas vou resumir. O que mais me incomoda é que tudo é uma competição, uma vontade de ser mais que os outros. Eu acho muito irônico vindo de um movimento que surgiu com ideias opostas a essa.

O que eu mais gosto?  Posso ter um lugar para me expressar, um lugar onde encontro soluções para muitos problemas, lugar onde posso ser criativo. Eu me sinto o cara mais feliz do mundo, ainda mais podendo desfrutar de grandes amizades que fiz durante muitos anos.

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Sujeira: Quais foram os discos que mudaram sua vida?

Gabi Edge:  Foram muitos, mas eu vou te dizer 10!

MINOR THREATH – DISCOGRAPHY
YOUTH OF TODAY – WE’RE NOT IN THIS ALONE
CHAIN OF STRENGHT – THE ONE THING THAT STILL HOLDS TRUE
INSTED – WHAT WE BELIEVE
DAG NASTY – CAN I SAY
MAINSTRIKE – NO PASSSING PHASE
CINDER – QUE TE PARTA UN RAYO
AFTERLIFE – ENTER THE DRAGON
CHAMPION –PROMISES KEPT
THE FIRST STEP – WHAT WE KNOW

Sujeira: Como você definiria o hardcore na europa nos dias de hoje, existiu um tempo em que ele era melhor?

Gabi Edge: Bom, não gosto de dizer que algo foi melhor anteriormente, no caso foi diferente, com coisas melhores e piores. Eu posso te dizer que o hardcore na Europa vive um momento de apatia, onde todos esperam um “hype” para reagir a alguma coisa. Já não tem personolidade suficiente.

É algo que me deixa triste, mas é assim. Muitas vezes as pessoas só dão suporte para bandas grandes que vem dos EUA, que sempre vem tocar em um esquema mais dentro da cena metalera ou roqueirra. Muitas pessoas acabam seguindo esse “hype” do momento, acabam não valorizando as bandas locais ou quem é comprometido a fazer algo sincero com o hardcore.

Mas sabemos que existem pessoas autênticas também, elas são a nossa inspiração

Sujeira: Cite as principais influências do Appraise.

Gabi Edge: Embora o nossos gostos sejam diferentes, somos fortemente influenciados por Insted, Life’s Halt e todas as bandas de hardcore clássico que nos marcaram durante tantos anos!

Sujeira: Para finalizar deixe um recado e comente sobre a turnê, fique a vontade!

Gabi Edge: Agora podemos dar aquele obrigado a muitas pessoas que estão nos ajudando com a tour, principalmente ao Franco 78life, Kikster Varsity, os caras do Still X Strong (esse inclui você também Xavero!), Edi, Positive Youth, Kanela de Porto Alegre, Eduardo de Curitiba e todas as pessoas que vamos reencontrar e as que vamos conhecer!!

Viva el Açai!!! Y la Paçoquitas!

Shows no Brasil:
19/01 Rio De Janeiro (MTD IRON SQUAD III)
20/01 Volta Redonda (COM EXPO DO SUJEIRA E CREATOR)
24/01 São Paulo (QUINTA HARDCORE, no Vegacy)
26/01 Piracicaba (Verdurada)
26/01 Sorocaba
27/01 São Paulo (Persistir Fest)
29/01 Curitiba
30/01 Porto Alegre

Entrem na página da banda e fique por dentro de todos os shows que vão rolar, eventos, etc. Caso você não conheça o som dos caras, é simples, só clicar no bandcamp.
APPRAISE

Um pouco sobre o show que estamos organizando:

Segue aqui o cartaz e o evento do show que estamos fazendo em São Paulo na quinta feira. O nome é “Quinta Hardcore”. a ideia é fugir desse lance de festa que já virou rotina dentro do punk, usando um dia de semana (apesar de ser véspera de feriado) para colocar em prática aquilo que a gente mais gosta. O local já é conhecido por frequentadores de shows. Estimulamos a troca de desenhos, fanzines e qualquer publicação independente, o espaço é aberto para todas as pessoas. O evento é organizado de forma totalmente DIY e coletiva. Compareça e faça valer o esforço, espero que esses eventos se tornem um estímulo para que mais pessoas organizem os seus pela cidade!
Evento: http://www.facebook.com/events/152537624895316/
hardcorepunk

Coletivo Verdurada apresenta: Matinê na Matilha

Verdurada de 08/04/12. Foto por: www.ihateflash.net

Apesar dos reveses que a vida impõe, há aquelas pessoas que negam o comodismo, e conseguem ser altamente prolíficas no que se dispõem a fazer. Certamente os integrantes do coletivo Verdurada fazem parte deste grupo. As palavras tecidas acima podem parecer exageradas ou demagogas, mas provaremos o contrário com fatos.

Pois bem, desde que a verdurada/festival hardcore tiveram que deixar o famigerado “galpão do jabaquara”, o coletivo vem se empenhando na busca de um novo espaço compatível com evento, tarefa árdua, principalmente por se tratar de um evento 100% DIY. Ao que tudo indica o Ego Club, local onde o evento vinha sendo realizado em suas últimas edições, também não receberá mais shows como a Verdurada, então o evento precisa migrar mais uma vez. A boa notícia é que este problema foi temporariamente resolvido, e no dia 14 de outubro acontecerá, na Matilha Cultural, a Matinê na Matilha, organizada pelo coletivo verdurada.

A Matilha Cultural, como o próprio nome sugere, é um centro cultural independente, sem fins lucrativos. Além disso o espaço não só tem forte vínculo com o vegetarianismo, como também promove informações sobre como adotar animais domésticos, fazendo-o um ambiente mais que propício para este show. Quanto as instalações, a Matilha não deixa a desejar, além de possuir um bom espaço para a apresentação das bandas, também possui outros abientes, que possibilitam aquela conversa entre uma banda e outra, sem a necessidade de deixar o local do show.

Fachada da Matilha Cultural

A localidade não é a única novidade nessa primeira Matinê na Matilha, o molde do show é um pouco diferente dos já conhecidos Verdurada a Festival Hardcore, em vez de 5, tocarão 4 bandas e não haverá palestra. O que não significa perda de força, tampouco que os outros eventos realizados pelo coletivo não voltarão a acontecer. Sem muito mais à acrescentar, vamos ao que interessa no momento, o cast que fará a composição da matinê:

Still X Strong: Recém chegada do velho mundo, a reserva moral do Vegan Straight Edge pensante, faz seu primeiro show no Brasil, desde a tour. Além disso a banda estará lançando o seu já virtualmente aclamado EP “Girl”, em sua última apresentação deste ano. (http://stillxstrong.bandcamp.com)

Renegades of Punk: O termo “power trio” nunca foi tão cabível. Renegades of Punk é uma banda de Punk Rock que com poucos acordes e guitarras pouco distorcidas, trará ao sudeste a energia só a região nordeste do Brasil tem. (http://therenegadesofpunk.bandcamp.com)

Urutu: Também lançando EP, a nova onda do heavy metal brasileiro, vai à matinê mostrar como se misturar metal e punk, de modo nada óbvio, sem necessidade alguma de recorrer ao monstro enfadonho chamado clichê.(http://urutu.bandcamp.com)

Slaver: Diretamente da capital nacional do Thrash, Brasília, o Slaver vem a São Paulo mostrar toda a fúria do metal brasiliense com riffs cortantes e muito singing along, no melhor estilo Bay Area 80’s. Circle Pit garantido.(http://www.myspace.com/slaverthrash)

Onde: Rua Rego Freitas, 542, Centro – Próximo ao metrô república.
Quando: Domingo dia 14/10
Quanto: R$10
Horário: 17h

Agora que você já sabe tudo deste evento mais que promissor, é só aguardar e comparecer. Sem desculpas.

AGAINE voltou e o Sujeira colou…

Againe (visual boston) – Casa do Mancha @ Foto Por: Ricardo Augusto

Muita coisa rolou até esse show acontecer. Againe, um dos grandes nomes do hardcore dos anos 90 anuncia sua volta. Quando a banda anunciou na internet a notícia, todos disseram “não perco por nada”, o fato é que, na internet todo mundo diz qualquer coisa, no fim das contas só compareceu quem realmente gostava da banda, amigos e etc.
Sexta feira, 20h, todos os entusiastas já estavam ansiosos pro começo do show. Os caras voltaram com a última formação da banda, que gravou o 7# “Sem Açucar” que é: Carlinhos na voz, Fusco bateria, Ed guitarra, Fernando Sanches guitarra e Gulherme Granado baixo. O Fusco atrasou um pouco, mas chegou a tempo pra tocar. O show já começou pesado com “Action Book” já emendada com “Neoliberalismo”. A festa correu perfeitamente. Como já citado acima, eles são veteranos na cena paulista, muitos alí inclusive eu estavam vendo de verdade pela primeira vez, então com certeza era um momento especial. Há tempos eu não sentia uma energia tão forte em show.O público era bem mesclado, uma galera mais jovem, uma galera mais adulta, gente que não se encontra em shows comuns, mas rolou respeito e foi sensacional. A cada acorde que a banda dava, eu sentia a fúria e pensava, ” Isso é muito hardcore, pode chamar de rock pesado e etc. Eu chamo de hardcore”, vocalista cantando do fundo da alma, como se não houvesse amanhã, sem mascara, sem molde, uma banda que copiava a sí própria.
Againe (Pointing Fingers) - Casa do Mancha @ Foto por: Ricardo Augusto

Againe (Pointing Fingers) – Casa do Mancha @ Foto por: Ricardo Augusto

Quem estava na linha de frente do palco podia sentir a energia que era fazer parte daquilo, tudo cantado com um sentimento em volta.
Os caras tocaram 30 minutos, que foi o bastante pra galera se divertir com stage dives, um pit da amizade (pois o espaço era bem pequeno). A velha escola pode matar a saudade e a felicidade dos jovens ali presentes foi garantida.

stage dive @ foto por: Oswaldo Corneti/ We Shot Them

stage dive @ foto por: Oswaldo Corneti/ We Shot Them

A conclusão: não importa o que você quer falar, seja sincero, coloque pra fora o que você tem vontade, isso é o punk rock, hardcore, como quiser chamar. As pessoas podem ler isso e achar que estou forçando a barra, olhe pra sua volta e procure algo que faz seu sangue pulsar de verdade, abraçar quem você não conhece e se emocionar de verdade. O sistema já tenta aprisionar as pessoas todos os dias, vamos jogar limpo com a única saída que nós temos…

Mais fotos por: Oswaldo Corneti/ We Shot Them
Mais fotos por: Ricardo Augusto

    Vídeo de “Só diz não sei” por: Tinico.

“Palco” TEST na Virada Cultural parou o Largo do Paissandú

Foto por: Xavero @ D.E.R. Palco TEST

Foto por: Xavero @ D.E.R. Palco TEST (clique na foto e veja em alta resolução)

Largo do Paissandú, quase 1h da manhã e começa a funcionar o palco mais obscuro da Virada Cultural. O Palco Test. Os organizadores convidaram as bandas mais barulhentas da cidade para esta destruição sonora. O fato do palco não fazer parte da programação oficial do evento não fez diferença alguma pra aqueles que estavam assistindo, o público presente se divertiu como se não houvesse amanhã. O protagonista dessa empreitada foi o vocalista e guitarrista da banda Test, João, conhecido também como João Kombi, que fez milagre com o equipamento, tirando um som absurdo, levantando poeira em meio à confraternização de punks, metaleiros e cidadãos comuns com nível etílico elevado.

Uma banda já havia se apresentado quando cheguei ao local. O largo estava fechado de gente, cena típica de show de bairro ou até mesmo de festas de banda cover. Tocavam rock n roll, sem muito foco em um estilo só. O baterista batia pesado, a execução das músicas era ótimas, confesso que peguei uma música e meia dos caras, mas logo de cara, pude notar o entusiasmo do público em relação a banda. O ápice do show pelo que percebi foi o último som, um cover de “From Whom The Bell Tolls” do Metallica, que levou a delírio os rockeiros bebedores de químico, ali presentes.

Na sequência dos rockeiros entram os homens de preto, o Social Chaos liga tudo muito rápido e já começa a devastação D-beat no local. O público ficou inerte durante os primeiros segundos, quase certo que muitos ali nunca haviam escutado um som daquele tipo. Embora nada estivesse fazendo muita diferença. O som era pesado e rápido, perfeito para a ocasião. O quarteto fez um set curto, o vocalista Borela tentou se comunicar com a galera, mas não obteve muito êxito, pois o nível de insanidade ficava  mais alto a cada segundo.

A festa seguia e entrava em cena a banda Orozco. Com uma pegada mais stoner rock os caras começaram o show cheios de gás, o vocal tinha um timbre grave, lembrando um pouco algumas fases do Melvins, mas arriscava alguns berros em meio a tentativas de melodia, bateria quebrada, guitarra cheia de peso. Para ser sincero, não era bom, as músicas acabavam sendo um pouco confusas, sem muito pé nem cabeça. O vocalista tentava ser engraçado, criando um estilo próprio ali pra chamar atenção, chegando a soar pretensioso. O público não assimilou muito bem. Rolou até aquele lance de apresentar músicos, típico de bandas que vão a programas de televisão, o que foi um dos pontos mais baixos da apresentação. A molecada deu uma esfriada boa durante o show dos grupo, muita gente se dispersou. Não desmerecendo a competência dos músicos, que eram ótimos, por sinal. Até vale citar o baixista que mandava muito bem, posso colocar a culpa no equipamento, talvez já estivesse saturado, entretanto aquelas pessoas estavam sedentas por brutalidade sonora. Os jovens eram receptivos a duas opções: tocar muito rápido e pesado ou qualquer música do Nevermind do Nirvana, algum clássico do rock.

Para alegria da multidão, principalmente dos grinderos, chegava a hora do ex trio grindcore ocupar o largo, Hutt. O show começa como se fosse um trator andando pelas redondezas da galeria do rock. O quarteto tocou uma sequência de sons que já se tornaram clássicos, do álbum “Sessão Descarrego”. Os seres humanos que permaneciam em pé ficaram fora de si, todos os espíritos ruins que estavam adormecidos em seu subconsciente vieram à tona, nunca vi um público tão ignorante como este. Cerca de 200 pessoas se batendo de uma forma absurda, trombadas eram carinhos para aqueles que foram astros desse pit, todos tão anestesiados que deixaram a dor sem segundo plano.

Tudo bem, muita calma, na sequência deles veio o Sistema Sangria, Hardcore pesado, o show regado de palavrões, muito “Filho da Puta” nas letras, o que fazia qualquer “noiaba” se identificar e cantar sentindo-se um rei com o poder desta palavra. Confesso que sou um pouco leigo a respeito da banda, mas fizeram uma apresentação ótima, cheguei a arriscar um comentário sobre a banda, que parecia um “Hatebreed tupiniquim”, mas também é notável a influência de hardcore brasileiro no som dos caras, RxDxPx no caso. O fato é que eles fizeram um show honesto, pesado e a sua própria maneira. Na hora que o Sistema Sangria tocava o público começou a ficar mais sem noção, o momento catártico da apresentação foi quando um indivíduo que estava fora de sí começou a escarrar nas mãos e passar no rosto, logo na sequência tentou agredir o vocalista, não se sabe por que, mas não demorou muito para os amigos comprarem a briga e tirar o cara de cena.

Com tudo resolvido após este clima um tanto quanto tenso, então era hora da penúltima banda do palco mais barulhento da virada. Com sutileza e silêncio, começaram os primeiros acordes dos mestres do Grindcore nacional, D.E.R. Os caras tocaram quase um set normal de show, em um sistema de emendar músicas, no melhor estilo powerviolence. Fizeram país de família que estavam passando ali por perto jorrarem sangue dos ouvidos. A galera que fazia parte do “pit inconsequente” se superou na hora do D.E.R. A “brincadeira” chegou a um extremo em que eu via jaquetas da “Independente” (torcida organizada do São Paulo) “Mancha Verde” (torcida organizada do Palmeras), roupas de surf e etc. A parada já havia deixado de ser diversão faz tempo e começou atrair gente muito mal intencionada que passava pelo largo naquele momento. Flagrei vários momentos bizarros, que lembrando agora até são hilários, mas na hora me chocaram intensamente. Pra se ter uma noção, eram voadoras programadas vindas de todos os lados, socos na cara com intensão óbvia de machucar, as pessoas estavam em outro mundo, já dominadas pelo álcool e outras substâncias, como já citado acima, novamente a dor era o que menos importava. É triste, mas em eventos gratuitos como esse, que juntam todos os tipos de pessoas em um único ambiente, é impossível só manter um nível de compaixão. Tudo bem, mesmo com esses fatos ocorridos o D.E.R. fez um tremendo espetáculo grindcoreano, nada atrapalhou, quem gostava da banda ficou colado com os caras durante o show todo e quem não gostava, passou a gostar.

Chegando ao fim das apresentações, eram quase 3 horas da manhã, muita gente em estado terminal, olhos roxos, nariz sangrando, coma alcoólico e tudo de pior que se possa imaginar. Entram no “palco” os anfitriões, TEST. O fato de não ter baixo na banda deixou o som mais limpo, que acabou soando melhor pra quem estava no público, a dupla levantou vários mortos vivos, que eu jamais acreditaria que poderiam voltar à vida, pelo menos naquela noite. Os caras fizeram um set rápido e matador, com vários dos hits virtuais da banda e sem muitas novidades. Fecharam com chave de ouro o show que fez jus ao que se chama de contra cultura.

Verdurada de 08/04 supera as expectativas.

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Verdurada 08/04/2012

Domingo de sol em São Paulo, dia 8 de abril de 2012, vai começar mais uma verdurada, hardcoreanos de todos os cantos do Brasil e da cidade começam a aparecer na porta. Essa edição do evento veio pra agradar deus e o mundo, tocando bandas de diversos estilos do rock independente, mas precisamente no punk (claro), desde o mais sujo grindcore até o punk rock melódico mais carinhoso, como esperado o show foi um sucesso do começo ao fim…

Parecendo mais uma celebração entre amigos, assim foi o show do Days of Sunday, banda que abriu o domingo de hardcore na Verdurada. A banda fez um set que mesclava músicas novas com as da demo lançada em 2010. Os meninos abriram o show com “Glue”, som clássico da banda de hardcore SSDecontrol, de Boston, com a presença de uma garota no vocal (Carol Mags), indo na contra mão da idea que o som pesado e furioso é feito só pra meninos. O público foi a delírio em diversas parte do show, não faltaram stage dive’s, dedos apontados e ideias espertas dadas pelo vocalista Welligton. O show foi muito intenso do começo ao fim, por terem sido primeira banda, foi muito melhor do que o esperado.  Para finalizar a apresentação efechar com chave de ouro – no melhor estilo “Racionais Mc’s” – o palco se aglomera de amigos e simpatizantes da banda e tocam o feroz cover de Warzone “Don’t forget the strugle, Don’t forget the Streets” deixando fora de cogitação a possibilidade de qualquer ser vivo que permanecia quieto naquele ambiente permanecer parado.

Foto por: I Hate Flash

Foto por: I Hate Flash

Foto por: I Hate Flash @ São Paulo Crew no palco, Warzone cover.

Vídeo Days of Sunday:

Clearview sobe ao palco, favoritos entre os amantes da dança violenta, o show dos caras com certeza foi o mais violento se tratando de mosh pit.  A banda mostrou muita competência no palco, sem muita política no discurso, mas sempre com bastante carisma. Com o som cru e sujo, influenciados pela velha escola do hardcore de NY e por bandas pós 2000 como Terror, o quarteto fez com que entusiastas do estilo não parassem um segundo sequer. Os caras mandaram um set bem variado, tocando sons do seu primeiro álbum e de seu último lançamento, fazendo com que a molecada gritasse em meio aos 2steps lançados no pit. Um presente para os apreciadores da velha escola foi o cover de “Take a Stand” do Youth of Today, que deu uma acordada nos poucos que estavam dispersos e aumentou a fúria de quem já estava na adrenalina do show. Os caras foram lá e deram o recado certo.

Foto por: Breno Carollo

Foto por: Breno Carollo

Foto por: Breno Carollo


Vídeo Clearview:

Pela segunda vez nos palcos da Verdurada, diretamente de Blumenau, o Nunca Inverno veio e não deixou a desejar. Banda carismática, bem polítizada. Os caras tocam um punk rock melodioso cheio de guitarras influênciados pela escola de hardcore da dischord, Dag Nasty é explicito em suas influências. A banda conta com um vocalista que não carrega muita melodia em suas cordas vocais, mas tem uma presença que transforma isso em detalhe. O público foi todo para frente do palco, abafando o som da banda cantando junto em todos os refrões, o palco mais parecia um trampolim comunitário, todos esperando a vez de pular no stage, amigos subindo e dando beijos nos integrantes e etc. O ano 2012 coincidiu com os cinco anos que os caras não tocavam na Verdurada de São Paulo, então fizeram um set mais longo com covers de clássicos do hardcore americano. Os meninos do Sul deram de brinde dois sons foderosos do Bad Brains pra galera, que quase desmontou o palco, fizeram uma apresentação digna e que por mais longo que tenha sido o show, passou longe de ser cansativo.

Foto por: I Hate Flash

Foto por: I Hate Flash

Love. Foto por: I Hate Flash

A palestra pode ser realizada, o palestrante teve um problema  em campinas e não pode chegar a tempo.

Para os ouvidos sensíveis essa foi a pior parte do show. A cor do público começa a escurecer e as jaquetas com patch começam a brotar no meio da galera. Entra o Facada no palco, brutalidade sonora é pouco para descrever o show desses caras. Diretamento do Ceara a banda mostrou ser muito mais absurda ao vivo do que em suas gravações, grindcore cru e reto. O trio assustou a molecada que não esperava aquele tipo de som, fazendo os mais leigos no assunto se perderem diante dos riffs e se abismar com o blast beat sanguinário executado pelo batera. A banda levou um público bem específico que entrou pra ve-los e logo foi embora. O facada fez a pulsação dos presentes aumentar a cada música. Desde os seus contemporâneos até os mais jovens não arredavam pé da frente do palco do começo até o fim do show, bangueando ou se esbarrando, degustando o mais aniquiladora apresentação do trio cearense, que soa clichê, mas pode  ser inserida facilmente na lista dos nomes para ser trilha sonora do fim do mundo.

Foto por: Tiago Rossi

Foto por: Tiago Rossi

Bangueando. Foto por: Tiago Rossi

Vídeo Facada:

Entra no palco a banda mais esperada da noite. Em meio a polêmicas virtuais e desmascaradas dias antes do show, o Rvivr sobe ao palco trazendo alegria para todo ambiente. Com sorrisos estampados no rosto os músicos não escondiam a felicidade que sentiam naquele momento. Um punk rock carregado de melodia, vocal feminino e masculino se encontrando no meio das músicas, letras politizadas e muita purpurina. A frente do palco da Verdurada se enchia de garotas, feministas à flor da pele, com cartazes de agradecimento à banda, pelo suporte que dão as mulheres. Rvivr fez um show épico, as vozes do público acompanhavam cada estrofe das músicas, o show levou o ambiente a um pico de harmonia, fazendo com que as pessoas se abraçassem, cantassem juntos deixando intimo qualquer estranho que estivesse ao lado. Nada de rodas de hardcore, stage dive’s até rolaram, porém em baixa quantidade. Uma das mensagens do vocal foi “vamos se divertir, mas de forma que ninguém se machuque”, não houve problema algum, todos entenderam o recado e fizeram o show deles mais do que especial. O quarteto tocou quase uma hora, voltaram duas vezes a pedido do público, fecharam o show com uma ‘confraternização’ no palco entre meninos e meninas, dançando e cantando suas músicas como se não houvesse amanhã.

Foto por: I Hate Flash

Foto por: I Hate Flash

Foto por: I Hate Flash @ Festa no palco!

Vídeo Rvivr

Caso não conheça alguma das bandas ou nenhuma, simples, só clicar nos nomes das bandas que estão em negrito, tem o link de seus respectivos sites. Para mais informações sobre a Verdurada: www.verdurada.org